Vereadores pressionam Corsan/Aegea e Agergs por cobranças abusivas e falhas no atendimento durante CPI

Olá Jornal
julho08/ 2026

A insatisfação popular com os serviços de abastecimento de água e esgotamento sanitário dominou a 8ª reunião da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Câmara de Vereadores de Venâncio Aires, realizada no dia 1º de julho de 2026. Durante a sessão, os parlamentares submeteram a duros questionamentos os representantes da agência reguladora estadual (AGERGS) e da concessionária Corsan/Aegea, destacando o distanciamento entre as instituições e a comunidade local.

O principal foco das críticas dos vereadores, representados na mesa por Nilson Lehmen (MDB), presidente, Eduardo Luft (PDT), relator, e André Puthin (Republicanos), foi a explosão de reclamações sobre cobranças consideradas abusivas. Segundo os parlamentares, há inúmeros relatos de saltos inexplicáveis nos valores das contas de água, especialmente após a troca de hidrômetros.

Além disso, a CPI apontou a insatisfação com a cobrança da taxa de esgoto em locais onde o serviço ainda não é efetivamente prestado ou não pode ser utilizado por questões topográficas, e criticou duramente a má qualidade da repavimentação asfáltica após as obras de expansão da rede subterrânea.

PERDAS
Um dos apontamentos mais incisivos feitos pelos vereadores foi a dificuldade que os cidadãos enfrentam para resolver problemas diretamente com a Corsan/Aegea. A ineficiência dos canais de atendimento tem forçado a população a buscar os vereadores e a Prefeitura para intermediar conflitos básicos, como a revisão de faturas com erros de leitura.

O clima de tensão, segundo relatado na comissão, chegou a um ponto em que a comunidade já discute abertamente alternativas extremas, como a quebra do contrato de concessão e a municipalização do serviço, evidenciando uma grave crise de confiança na empresa responsável.

REPRESENTANTES
Diante das cobranças, o representante da AGERGS, André Domingues, reconheceu o aumento das demandas, mas frisou que a agência atua como instância revisora e depende que a população formalize as denúncias nos canais oficiais. Ele destacou que a AGERGS já criou precedentes importantes a favor do consumidor, como a isenção de taxa para imóveis com “soleira negativa” (quando a rede fica acima do nível da casa, impedindo o escoamento por gravidade), e orientou que casos de cobranças anômalas podem ter a cobrança suspensa até o fim da apuração técnica.

Já o representante da Corsan/Aegea, André Finamor, defendeu a atuação da empresa alegando que os investimentos no município dispararam. Segundo ele, a cobertura de esgoto na cidade, que era de apenas 12% em 2022, já alcançou quase 39%, com a meta de universalização prevista para ser antecipada.

Sobre as contas elevadas, Finamor justificou que as trocas de hidrômetros são necessárias por desgaste dos equipamentos antigos e que o sistema comercial retém automaticamente faturas com consumo atípico para verificação. Ele garantiu que todas as reclamações formalizadas são analisadas individualmente e reafirmou a responsabilidade da empresa em refazer asfaltos danificados por obras de terceirizadas.

PRÓXIMOS PASSOS
A CPI agora aguarda o parecer técnico de uma assessoria contratada pela Câmara. Com base nos documentos, depoimentos e dados colhidos, o relator Eduardo Luft (PDT) elaborará o documento final que apontará as conclusões da comissão e as medidas legais e administrativas que poderão ser tomadas contra as irregularidades apuradas. Os trabalhos da CPI foram prorrogados até setembro para conclusão do relatório.

FOTO: Divulgação/AI CMVA

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