Venâncio Aires acompanha avanço do protagonismo feminino no campo

Olá Jornal
outubro15/ 2026

A participação das mulheres na gestão das propriedades rurais vem ganhando espaço no agronegócio brasileiro e também se reflete nos dados históricos de Venâncio Aires. Embora o município ainda tenha como referência os números do Censo Agropecuário de 2017, um estudo nacional aponta que as mulheres representam 40% dos produtores rurais considerados decisores no Brasil. O cenário evidencia a transformação do papel feminino no campo, enquanto a realização de um novo levantamento poderá atualizar a dimensão dessa participação na Capital do Chimarrão.

Os dados do último Censo Agropecuário mostram que Venâncio Aires contava com 443 estabelecimentos agropecuários sob responsabilidade feminina em 2017. O número representou crescimento de 12,4% em relação a 2006, quando eram 394 propriedades nessa condição.

Naquele período, o número de estabelecimentos liderados por homens caiu de 4.652 para 3.919. Ao mesmo tempo, o total de estabelecimentos agropecuários do município passou de 5.046, em 2006, para 4.367, em 2017, uma redução de 13,5%.
Apesar da diminuição no número total de propriedades rurais, os dados históricos demonstram que a quantidade de estabelecimentos sob responsabilidade feminina aumentou no período. Ainda não é possível, porém, afirmar se essa trajetória se manteve nos últimos anos ou projetar com precisão o número atual de propriedades lideradas por mulheres no município.

GESTÃO DO AGRO
No cenário nacional, o protagonismo feminino também aparece na administração dos negócios rurais. O estudo Perfil da Mulher do Agronegócio Brasileiro: 10 anos de transformação e avanços, que compara a atuação das mulheres entre 2015 e 2026, aponta mudanças na formação profissional, na gestão e na participação em diferentes áreas das propriedades.

Entre as mulheres entrevistadas, a proporção com pós-graduação passou de 24%, em 2015, para 46%, em 2026. Já o percentual com ensino superior completo aumentou de 60% para 77%. O levantamento também identifica maior participação feminina em atividades financeiras, comerciais e administrativas.

Os resultados indicam que a atuação das mulheres vai além das atividades diretamente ligadas à produção, envolvendo planejamento, gestão de recursos, comercialização e decisões estratégicas para a continuidade dos negócios rurais.

AGROINDÚSTRIAS
No Rio Grande do Sul, um levantamento realizado pela Secretaria Estadual de Desenvolvimento Rural, em parceria com a Secretaria de Planejamento, Governança e Gestão e a Emater/RS-Ascar, identificou que as mulheres representam 44% dos gestores das agroindústrias familiares. Elas também correspondem a 49% das 8.601 ocupações diretas identificadas pelo censo estadual.
Para o secretário estadual de Desenvolvimento Rural, Gustavo Bohrer Paim, o crescimento da participação feminina confirma uma transformação importante no meio rural brasileiro.

“As mulheres sempre tiveram participação fundamental no trabalho e na organização das propriedades, mas agora estamos conseguindo dimensionar melhor sua presença também na gestão e na tomada de decisões”, avalia.

O levantamento ouviu 3.192 empreendimentos e alcançou 91% dos municípios gaúchos. Segundo Paim, os resultados oferecem um diagnóstico mais abrangente sobre a realidade das agroindústrias familiares e ajudam a orientar políticas públicas para o setor.
“Esses resultados mostram que as mulheres não estão apenas participando da produção. Elas estão administrando empreendimentos, gerando renda e assumindo responsabilidades cada vez mais importantes no desenvolvimento da agricultura familiar gaúcha”, destaca o secretário.

LIDERANÇA FEMININA
Além da participação na administração dos negócios, a presença feminina também contribui para a qualificação da produção e a valorização dos produtos da agricultura familiar. Conforme Paim, as mulheres têm papel importante no cuidado com os processos produtivos, na apresentação dos produtos e na qualidade das embalagens, características que ajudam a diferenciar os empreendimentos no mercado.

O censo estadual aponta que 98% dos entrevistados consideram a qualidade dos produtos um dos principais diferenciais das agroindústrias familiares. Para o secretário, esse resultado dialoga com o trabalho de gestão e com a construção de uma identidade que valoriza tradição, apresentação e confiança dos consumidores.

“Mais do que participar da produção, as mulheres estão assumindo o protagonismo na condução dos negócios, na inovação e na busca por novos mercados”, afirma Paim.

Segundo ele, reconhecer essa liderança significa valorizar a contribuição feminina para a geração de renda, a competitividade dos empreendimentos e o fortalecimento da agricultura familiar gaúcha.

NOVO CENSO
A realização de um novo Censo Agropecuário pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), prevista para 2027, poderá atualizar os dados sobre o campo em Venâncio Aires. O levantamento permitirá verificar se o crescimento registrado entre 2006 e 2017 se manteve na última década e qual é a participação feminina na direção dos estabelecimentos agropecuários.
Até a divulgação de novos números municipais, os indicadores nacionais e estaduais servem como referência para acompanhar as mudanças no setor, mas não permitem calcular diretamente a quantidade atual de propriedades lideradas por mulheres em Venâncio Aires.

Os dados históricos, somados aos resultados dos levantamentos mais recentes, reforçam a importância de acompanhar a presença feminina na gestão rural e na economia local, em um cenário de transformação do agronegócio e de valorização do papel das mulheres no desenvolvimento das atividades no campo.

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