Redução de danos ganha espaço em debate sobre saúde pública no Brasil nesta semana

Olá Jornal
junho04/ 2026

Entre os dias 4 e 6 de junho, a cidade de Santos (SP) sediará o 1º Congresso da Sociedade Brasileira de Ciência e Tecnologia para Redução de Danos (SBRed), promovido em parceria com o Conselho Federal de Biomedicina. O evento reunirá pesquisadores, profissionais da saúde e especialistas nacionais e internacionais para discutir estratégias baseadas em evidências capazes de reduzir riscos, doenças e impactos sociais relacionados a diferentes comportamentos e condições de saúde. A programação abordará temas como HIV/AIDS, dependência química, consumo de álcool, tabagismo, nicotina, alimentos ultraprocessados e doenças crônicas.

A redução de danos vem ampliando seu espaço no debate sobre saúde pública no Brasil. Tradicionalmente associada às estratégias de enfrentamento do HIV/AIDS e da dependência química, a abordagem passou a integrar discussões sobre doenças crônicas, alimentação, tabagismo, nicotina, consumo de álcool e outros desafios que impactam milhões de brasileiros.

Para o presidente da SBRed, professor Victor Siervo, a ampliação desse debate reflete a necessidade de respostas mais realistas e eficazes para os desafios contemporâneos da saúde pública.

“Durante muito tempo, a redução de danos foi associada principalmente às discussões sobre HIV/AIDS e dependência química. Hoje, porém, o conceito ocupa um espaço cada vez mais amplo na saúde pública e passou a fazer parte de debates relacionados a doenças crônicas, alimentação, tabagismo, nicotina, álcool e diversos outros desafios que afetam milhões de pessoas”, afirma.

Segundo ele, embora a prevenção continue sendo o objetivo ideal das políticas públicas, a realidade demonstra que muitas pessoas seguem expostas a fatores de risco, o que exige estratégias capazes de reduzir danos enquanto mudanças de comportamento não acontecem por completo.

“A pergunta que surge é como reduzir doenças, sofrimento e mortes enquanto a mudança completa de comportamento não acontece. A redução de danos busca justamente responder a esse desafio, utilizando a melhor evidência científica disponível para produzir resultados concretos no mundo real”, destaca.
O cirurgião oncológico Edgard Mesquita, membro titular da SBRed, reforça que a proposta é ampliar a compreensão da redução de danos como uma ferramenta estratégica para a saúde pública.

“Essas agendas compartilham o desafio de demandar respostas mais integradas, modernas e eficazes em políticas públicas de saúde. O congresso marca um novo momento no debate científico brasileiro sobre redução de danos, uma abordagem já consolidada internacionalmente e que precisa ser compreendida como estratégia central de saúde pública no país”, afirma.

MULTIDISCIPLINAR
Ao longo dos três dias de programação, o congresso abordará temas como prevenção e tratamento do HIV/AIDS, dependência química, consumo de álcool, tabagismo, nicotina, alimentos ultraprocessados e doenças cardiometabólicas.

A abertura oficial acontece no dia 04 de junho com a palestra “Biomedicina no Século XXI: da Ciência de Base às Terapias Avançadas”, ministrada pelo professor Marcelo Marcos Morales, da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).

Entre os destaques da programação está a palestra “HIV: Um grande exemplo na estratégia de redução de danos”, apresentada no dia 05 de junho pela professora Catalina Riera Costa, docente convidada da Faculdade de Saúde Pública da USP e cirurgiã-dentista do Centro de Referência e Treinamento em DST/AIDS do Estado de São Paulo.

O evento também promoverá debates sobre os impactos dos alimentos ultraprocessados e do consumo excessivo de açúcar na saúde cardiometabólica, além dos riscos associados ao tabagismo, ao álcool e a outras drogas.

No dia 06 de junho, especialistas discutirão temas como dependência de nicotina, doença pulmonar obstrutiva crônica (DPOC) e estratégias de cuidado, tratamento e redução de danos relacionadas ao uso de álcool e outras substâncias.

ENFRENTAR DESAFIOS
A proposta do congresso é reunir especialistas de diferentes áreas para discutir como a ciência pode contribuir para enfrentar desafios complexos da saúde pública contemporânea.
Exemplos históricos mostram que estratégias de redução de danos já produziram resultados importantes em diversas áreas. No enfrentamento do HIV/AIDS, por exemplo, políticas voltadas à ampliação do acesso ao diagnóstico, ao tratamento antirretroviral e à prevenção ajudaram a reduzir infecções, internações e mortes em diferentes países.

Segundo os organizadores, a mesma lógica tem sido aplicada a outros campos da saúde, como alimentação, álcool, drogas e tabagismo, sempre com o objetivo de reduzir riscos e ampliar oportunidades de cuidado.

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