Especialistas e consumidores criticam tentativa da COP11 de restringir o uso do termo “redução de danos”

Olá Jornal
novembro21/ 2025

Especialistas e consumidores reunidos em Genebra criticam a tentativa da 11 Conferência das Partes (COP11) da Convenção-Quadro para o Controle do Tabaco (CQCT) de restringir o uso do termo redução de danos. Eles acusam a COP11 de ter abandonado sua missão original de salvar vidas para adotar uma postura abertamente punitiva contra a indústria, mesmo que isso, segundo eles, custe vidas humanas.

Entre as propostas alvo de críticas está a tentativa da COP11 de restringir ou proibir que a indústria, e possivelmente até comunicadores e organizações da sociedade civil, utilize o termo “redução de danos” ao se referir a alternativas ao cigarro tradicional. A justificativa dada pelos defensores da medida é que a expressão teria sido “cooptada” pela indústria do tabaco.

Para os ativistas, essa interpretação não tem base histórica nem técnica. “A redução de danos é uma política consolidada em inúmeros campos: transporte, drogas, saúde pública, segurança no trabalho. É incompreensível que o termo seja aceito em todas as áreas, exceto quando envolve nicotina”, dizem. Eles argumentam que proibir o uso da expressão não protege consumidores, mas impede que eles recebam informações confiáveis sobre produtos que apresentam risco significativamente menor que fumar.

“É como se o objetivo fosse apagar o conceito, e, assim, impedir que o público saiba que existem alternativas menos nocivas. Isso não é saúde pública, é censura”, critica um dos entrevistados. Segundo os defensores da redução de danos, retirar essa terminologia do debate significa dificultar o acesso à informação e, na prática, manter milhões de fumantes presos ao cigarro convencional, o produto de maior risco.

Ao mesmo tempo, lembram que os novos produtos de nicotina não são uma invenção da indústria e sim inventores independentes, incluindo o chinês Hon Lik, motivado pela morte do pai em decorrência do tabagismo. Além disso, os avanços tecnológicos das primeiras gerações vieram de usuários que adaptaram lanternas em suas garagens para criar dispositivos mais eficientes. As indústrias de tabaco só se aproximaram do setor quando perceberam que os vaporizadores representavam uma ameaça ao cigarro tradicional, e ainda assim, com atraso tecnológico significativo.

Com a COP11 avançando sob críticas de fechamento, rejeição de consumidores e propostas que muitos classificam como “ideológicas”, cresce a sensação de que o encontro pode estar se afastando de seu propósito original. Para os ativistas, a luta não é por indústria, mas por vidas e por um debate mais honesto, plural e baseado em evidências.

Especialistas em saúde expõem falhas da COP11

Olá Jornal
novembro21/ 2025

Especialistas de vários continentes analisam em Genebra como as dinâmicas globais de poder e modelos regulatórios rígidos têm limitado a capacidade de países reformarem suas políticas de controle do tabaco. As conversas evidenciaram a crescente distância entre a experiência de consumidores e pesquisadores e a agenda oficial da COP11, que segue fechada ao público e alheia a debates sobre redução de danos.

A influência de grandes financiadores internacionais que têm distorcido discussões e imposto modelos proibicionistas a nações de baixa e média renda, muitas vezes sem considerar suas realidades sociais e sanitárias é um dos pontos debatidos. A crítica ao chamado “filantrocolonialismo”, o colonialismo a partir da filantropia, tomou força, com participantes apontando que decisões tomadas em escritórios distantes acabam prejudicando milhões de pessoas que dependem de alternativas mais seguras ao tabaco.

Pesquisadores destacaram que, enquanto áreas como transporte, HIV e uso de drogas adotam estratégias de redução de danos há décadas, essa lógica é rejeitada quando o tema é nicotina, criando um tratamento desigual e pouco científico.

Os palestrantes enfatizaram a necessidade de inovação e de políticas baseadas em evidências, lembrando que proibições generalizadas ignoram avanços tecnológicos que poderiam salvar vidas. Houve críticas à visão de que países que questionam propostas da COP11 estariam “interpretando mal” diretrizes, quando na prática apenas pedem medidas mais realistas. Também foi lembrado que a exclusão de vozes divergentes, justificada com base em interpretações rígidas do Artigo 5.3, tem impedido o diálogo com setores legítimos, incluindo consumidores.

DIVERGÊNCIAS
As plenárias reforçaram que diversas delegações vêm se posicionando contra propostas extremas, especialmente na Europa Oriental e na Ásia Central. Representantes destacaram que exigir de países pobres a mesma estrutura regulatória de nações ricas é injusto e inviável. Houve críticas diretas à tendência proibicionista que domina parte da COP11, descrita como uma “abordagem do tipo: se podemos banir, vamos banir”, mesmo sem respaldo científico sólido.

A discussão sobre “filantrocolonialismo” trouxe relatos concretos de como campanhas financiadas por grandes organizações têm desestabilizado regulações locais e restringido o acesso de milhões de pessoas a alternativas menos nocivas. Especialistas denunciaram que, em alguns países, a influência externa tem sido sinônimo de retrocessos e de aumento de mercados paralelos, prejudicando consumidores e pequenas empresas.

Também foi abordado a resistência dos grupos antitabagismo a estratégias de redução de danos, mesmo diante de evidências que apontam quedas expressivas no tabagismo em países onde produtos alternativos são regulamentados. Participantes mencionaram casos como o da Suécia — onde o avanço do snus e das bolsas de nicotina coincide com o declínio do fumo entre jovens — e criticaram a obsessão de reguladores com o uso de vaporizadores por uma pequena parcela da população, ignorando o impacto muito maior do cigarro.

O panorama das Américas mostrou um cenário de crescente conflito regulatório. Foram apontadas a rigidez da Agência Americana de Medicamentos (FDA sigla em inglês), com um índice mínimo de aprovação de produtos alternativos, e a escalada proibicionista no México, associada à falta de transparência governamental. Os especialistas alertaram que, quando as normas se tornam excessivas ou incoerentes, os consumidores migram para mercados ilegais, fortalecendo redes criminosas e enfraquecendo a saúde pública.

Países de diferentes regiões estão começando a rejeitar modelos proibicionistas impostos de cima para baixo; políticas anti-THR continuam alimentando mercados ilegais; e as evidências científicas apresentadas por especialistas permanecem em contraste com as narrativas promovidas por órgãos reguladores. Para os participantes, o caminho para uma política global mais justa e eficaz depende de transparência, diálogo e da inclusão das pessoas que vivem a realidade do tabagismo e da redução de danos todos os dias.

COP11: Proposta sobre eliminação dos filtros segue em debate nesta sexta-feira

Olá Jornal
novembro21/ 2025

Os países que fazem parte da Convenção-Quadro para o Controle do Tabaco não garantem concesso sobre a proposta do Brasil para sugerir aos membros do tratado a eliminação dos filtros, como medida de redução dos impactos ambientais da indústria do tabaco. O assunto está em discussão na 11ª Conferência das Partes, em Genebra na Suíça, desde a quarta-feira.

A expectativa é de o assunto vire objeto de pesquisas, com a criação de um grupo técnico que irá buscar comprovação cientifica para analisar a proposta e leva-la na próxima edição da conferência. De um lado membros da Comissão Nacional para Implementação da Convenção-Quadro (Conicq) afirmam que há base científica que aponta a presença de micro plástico. De outro lado, o setor produtivo afirma que os filtros são compostos por celulose, sendo biodegradáveis.

A recomendação pela eliminação dos filtros preocupa a cadeia produtiva, já que o Brasil, tradicionalmente tem colocado em prática as recomendação do tratado de Controle do Tabaco. Se isso ocorre, pode inviabilizar a comercialização do produto no território nacional, além de abrir espaço para o aumento do consumo de cigarros contrabandeados.

As negociações para o texto final do tratado internacional de saúde, deve encerrar na noite desta sexta-feira, 21. A 11ª Conferência das Partes realiza a plenária de encerramento neste sábado, 22.

Sem acesso na COP11, projeto de reciclagem de vape está na COP30 de forma inédita

Olá Jornal
novembro21/ 2025

Pela primeira vez na história das Conferências das Partes das Nações Unidas sobre Mudança do Clima, o tema dos dispositivos de vape, tradicionalmente associado a debates de saúde pública e, principalmente, a fortes controvérsias políticas, entrou oficialmente na programação reconhecida da 30 Conferência das Nações Unidas sobre as Mudanças Climáticas de 2025 (COP30). O evento é realizado em Belém do Pará, no Brasil, entre 10 e 21 de novembro de 2025. A inclusão ocorreu por meio do mapa global do #MutirãoCOP30, plataforma oficial destinada a registrar soluções climáticas protagonizadas por jovens, e representou uma ruptura significativa com o tratamento que o tema costuma receber em outros espaços multilaterais.

A novidade é ainda mais expressiva quando comparada ao contexto das COPs da Convenção-Quadro da OMS para o Controle do Tabaco (CQCT), onde o assunto não apenas é ausente, como explicitamente bloqueado. Em fevereiro de 2025, na COP10, no Panamá, e novamente agora na COP11, em Genebra, ativistas, médicos e até a imprensa não foram autorizados a ingressar como observadores, sob o argumento de que qualquer vínculo com produtos de nicotina, mesmo tecnologias de risco reduzido, seria incompatível com o Artigo 5.3 do tratado.

Também é simbólico porque ao mesmo tempo em que o evento no Brasil abre espaço para um tema que o próprio país é contra, onde as novas tecnologias são proibidas, o evento em Genebra bloqueia brasileiros de participarem dos debates, sem qualquer envolvimento do governo brasileiro para mudar esta restrição a parlamentares, representantes de produtores de tabaco e jornalistas.

O contraste entre as duas experiências é evidente. Enquanto as COPs do tabaco são conhecidas por sua postura fechada e pouca disposição para ouvir organizações voltadas à redução de danos, a COP30 representou o oposto: portas abertas para debates científicos, participação juvenil e iniciativas inovadoras voltadas a soluções climáticas concretas. Foi nesse cenário que o Circular Vape Recycle, fundado pelos ativistas argentinos Aylen Van Isseldyk e Juan Facundo Teme, encontrou espaço para apresentar sua proposta de economia circular aplicada a dispositivos eletrônicos de nicotina.

O PROJETO
O projeto, baseado em pesquisa acadêmica e ações educativas, destaca o impacto ambiental resultante do descarte indevido de dispositivos de vape, baterias e líquidos. Segundo seus autores, os danos ao solo, à água e à cadeia alimentar podem anular os benefícios individuais trazidos pelo uso de alternativas de menor risco ao cigarro convencional. A investigação interdisciplinar, que reúne bioética, sustentabilidade e redução de danos, também analisa modelos internacionais de reciclagem, como os do Reino Unido e da Suíça, e aponta que a Argentina possui capacidade para se tornar referência regional na gestão desses resíduos, especialmente graças às suas legislações vigentes sobre resíduos perigosos.

Mesmo sem presença física em Belém por motivos pessoais, o projeto permanece destacado no mapa do #MutirãoCOP30, o que garante amplificação internacional em eventos como Africa Climate Week e New York Climate Week, além de influência direta sobre pautas da Agenda 2030. Trata-se de uma conquista inédita: é o primeiro projeto da área de redução de danos do tabaco a obter visibilidade formal em uma Conferência das Partes da ONU voltada ao clima.

“Na COP da Convenção-Quadro da OMS para o Controle do Tabaco, os Estados mantêm um controle quase absoluto sobre a agenda e a participação, o que restringe a diversidade de abordagens. Na COP30 da Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre a Mudança do Clima, os Estados estão progressivamente cedendo poder a atores não estatais (jovens, cidades, setor privado, academia), reconhecendo que uma ação climática eficaz requer ampla aliança e soluções de baixo para cima. Essa mudança de paradigma explica por que um projeto de redução de danos para o tabagismo, historicamente excluído, conseguiu encontrar em Belém do Pará um espaço legítimo de reconhecimento e colaboração”, afirmam os pesquisadores.

Líderes da Associação Europeia de Produtores de Tabaco e ITGA acompanham negociações da COP11 e criticam falta de participação de agricultores

Olá Jornal
novembro20/ 2025

Os presidentes da Associação Europeia de Produção de Tabaco (UNITAB Europa), Gennarino Masiello, e da Associação Internacional de Produtores de Tabaco (ITGA em inglês), José Javier Aranda, lideraram suas delegações na 11ª Conferência das Partes (COP11) da Convenção-Quadro da OMS para o Controle do Tabaco (CQCT), realizada entre 17 e 22 de novembro, em Genebra. As duas entidades representam as principais organizações internacionais dedicadas à defesa dos produtores de tabaco e acompanharam de perto as negociações do encontro.

A delegação da UNITAB Europa contou com representantes de diversos países produtores, incluindo Itália, Polônia — com o secretário-geral Przemysław Noworyta — e Bulgária. Já a ITGA marcou presença com dirigentes de países produtores dos quatro continentes.

Agricultores ficam fora dos debates

Apesar do impacto econômico, social e laboral das decisões debatidas na COP11 para as comunidades rurais, os representantes dos agricultores não tiveram direito a intervir nas discussões — um ponto criticado pelas entidades. Segundo UNITAB e ITGA, essa exclusão prejudica a transparência e impede um debate equilibrado baseado em evidências.

Propostas podem afetar estabilidade das zonas rurais

Masiello alertou que os temas debatidos vão “muito além da saúde pública”, afetando diretamente a estabilidade econômica e social das regiões produtoras, a competitividade das cadeias produtivas e o desenvolvimento agrícola. Entre as medidas analisadas, está a eliminação de todo tipo de apoio público às propriedades que produzem tabaco em folha.

Aranda criticou a falta de transparência histórica das reuniões da COP, afirmando que isso revela a intenção de “eliminar a produção de tabaco sem considerar as consequências socioeconômicas” para países que dependem dessa cultura. Ele advertiu ainda que políticas desequilibradas podem fortalecer o comércio ilegal, que já opera sem rastreabilidade e impõe maiores riscos à saúde dos consumidores.

Organizações pedem cooperação e políticas equilibradas

Os dois presidentes defenderam que a COP deveria promover cooperação internacional capaz de conciliar objetivos de saúde pública com a proteção das economias agrícolas, o incentivo à inovação e a sustentabilidade. Ambos pediram que se evitem abordagens ideológicas ou desconectadas dos marcos regulatórios existentes.

A UNITAB Europa reforçou seu compromisso em trabalhar com governos nacionais, instituições europeias e organismos internacionais na construção de políticas equilibradas, baseadas na ciência e respeitosas das prerrogativas legislativas dos Estados-membros. A entidade destacou que a produção europeia de tabaco segue padrões ambientais e sociais rigorosos, com sistemas avançados de rastreabilidade e acordos que promovem inovação e sustentabilidade de longo prazo ITGA UNITAB.

A ITGA, por sua vez, cobrou processos mais inclusivos e transparentes, enfatizando a necessidade de ouvir agricultores para que se possa combater a estigmatização do setor e construir soluções justas e sustentáveis ITGA UNITAB.

Riscos de estimular o comércio ilícito

UNITAB e ITGA alertaram que algumas propostas debatidas na COP11 podem gerar efeitos contrários aos pretendidos, como o estímulo involuntário ao mercado ilegal caso a produção e os canais legais sejam enfraquecidos. As entidades lembram que o tabaco em folha e os produtos derivados são bens legais e sujeitos a forte regulação, e defendem que qualquer medida multilateral observe os princípios de proporcionalidade e coerência regulatória ITGA UNITAB Press Release COP11….

Compromisso com transparência e representação

Ao final, Masiello e Aranda afirmaram que continuarão representando os agricultores “com responsabilidade, transparência e determinação”, para garantir que as decisões internacionais considerem as necessidades dos trabalhadores rurais, a sustentabilidade das cadeias produtivas e a coesão socioeconômica das regiões agrícolas.

Com informações AI ITGA

Especialistas reforçam apelo por reforma na Convenção-Quadro para o Controle do Tabaco e criticam abordagem da OMS à redução de danos

Olá Jornal
novembro20/ 2025

Especialistas e consumidores de novos produtos de nicotina, impedidos de participar da 11ª Conferência das Partes (COP11) da Convenção-Quadro para o Controle do Tabaco (CQCT), estão reunidos em Genebra, Suíça, para fazer ouvir suas vozes em um evento paralelo. Em meio a críticas crescentes à postura do Secretariado da CQCT e da OMS, painéis com especialistas internacionais e representantes regionais alertam que decisões orientadas mais por ideologia do que por evidências científicas podem comprometer vidas e abalar a confiança pública em instituições de saúde.

As discussões destacam que, enquanto milhões de pessoas no mundo têm recorrido a produtos de menor risco para abandonar o tabagismo, propostas em debate na COP11 seguem na direção contrária. Delegações como as da Nova Zelândia e da Sérvia defenderam abertamente mais transparência e foco em evidências, argumentando que políticas rígidas e proibicionistas não refletem a realidade nem o conhecimento científico atual.

David Williams e Martin Cullip, da Fundação Aliança de Proteção aos Contribuintes, ressaltaram a importância do debate paralelo e da necessidade de reconstruir a confiança no processo conduzido pela CQCT. “A COP11 não está sendo aberta e transparente. Persegue uma ideia rígida e fracassada de proibição”, afirmou Williams.

A ativista canadense Maria Papaioannoy conduziu um debate sobre como a persistência de vieses ideológicos em instituições de saúde pública tem deteriorado a confiança da população. Já um painel espanhol examinou as ameaças às políticas de redução de danos em países de língua espanhola. O especialista em direitos e liberdades individuais, Juan José Cirion, chamou atenção para a situação no México, onde a proibição dos vapes, segundo ele, teria ignorado princípios constitucionais e a demanda da própria população, gerando contradições legais e sociais.

Também foram apresentados dados e reflexões sobre o impacto da desinformação na formulação de políticas. Especialistas lamentaram que autoridades de saúde continuem a desconsiderar estudos relevantes e alertaram que políticas baseadas no medo e em percepções distorcidas podem custar vidas — especialmente em um cenário global em que um bilhão de pessoas ainda fumam e oito milhões morrem anualmente.

Consumidores presentes no encontro divulgaram mensagens direcionadas ao Secretariado e às delegações da COP11, reforçando o apelo para que sejam incluídos nas decisões internacionais. “Os consumidores precisam de uma voz na COP. Eles foram deixados de fora”, afirmou Jeannie Cameron, que atuou por dez anos como conselheira da CQCT. David Williams criticou a OMS por se afastar do diálogo com quem depende diretamente de alternativas de menor risco. Juan José Cirion e o consumidor Jeffrey Zamora reiteraram que, sem ouvir consumidores e profissionais que lidam diariamente com a realidade do tabagismo, as políticas correm o risco de repetir erros que custam vidas.

Países se levantam pela redução de danos durante a COP11

Olá Jornal
novembro20/ 2025

A 11ª Conferência das Partes (COP11) da Convenção-Quadro para o Controle do Tabaco (CQCT) já está marcada pela forte reivindicação dos países em favor da redução de danos. Durante as manifestações de abertura, ao menos sete delegações se levantaram exigindo provas, transparência e um lugar à mesa para discutir estratégias de redução de danos.

A Macedônia do Norte adotou uma posição firme. Sua delegação defendeu a redução de danos com total transparência, pedindo uma definição clara do conceito e a criação de grupos de trabalho para apoiar discussões abertas e baseadas em evidências. Reforçaram que a formulação de políticas deve se basear exclusivamente em fatos, pesquisas e melhores práticas. A mensagem foi direta: a redução de danos precisa fazer parte do diálogo global sobre controle do tabaco, e não ser marginalizada por ideologias.

Moçambique pediu uma regulamentação baseada em evidências. Se permanecer fiel a esse princípio, o país deve rejeitar as chamadas medidas prospectivas e, em vez disso, adotar políticas de redução de danos. A lógica é simples: se o objetivo é reduzir danos, então as políticas precisam ser avaliadas pelos resultados, não pelas intenções. Resta torcer para que avancem nessa direção.

São Cristóvão e Nevis reconheceu que a redução de danos é parte de uma abordagem inclusiva e pediu que a CQCT aprendesse com a experiência da resposta ao HIV, na qual a redução de danos foi uma pedra angular do sucesso. Ignorar essas lições, afirmaram, seria um desserviço à saúde pública. “Não podemos virar as costas para uma solução em potencial.” A presidência tentou silenciá-los, mas a delegação manteve sua posição. Exigiram decisões baseadas em pesquisas e diretrizes claras sobre estratégias de redução de danos, uma rara demonstração de coragem.

A Gâmbia instou a CQCT a manter-se aberta à inovação e a garantir que as regulamentações reflitam as realidades do terreno. “O compromisso com a Convenção não impede a abertura às evidências científicas”, afirmaram. “Ser pragmático e orientado por evidências não é incompatível com um forte controle do tabaco.” Segundo eles, os debates globais devem refletir realidades, não otimismo ingênuo.

A Albânia enfatizou que novas medidas devem ser “fundamentadas em evidências científicas confiáveis que demonstrem eficácia na redução de danos e na melhoria da saúde pública” e pediu políticas formuladas com base em evidências — uma posição calorosamente aplaudida por consumidores.

Essas declarações ecoam vozes que se manifestaram desde o primeiro dia. A Nova Zelândia reforçou seu compromisso com a redução de danos, apresentando evidências de como o apoio prático e a regulamentação baseada no risco dos produtos de nicotina aceleram o declínio das taxas de tabagismo. Lembraram a todos na sala que a redução de danos funciona. A Sérvia se opôs a proibições, pedindo cautela em relação a medidas drásticas e defendendo que quaisquer novas políticas sejam baseadas em ciência e redução de danos. Falaram verdades a uma instituição que, segundo eles, perdeu o rumo.

No entanto, a maioria das delegações presentes na COP11 continua a ignorar consumidores, ciência e evidências, competindo para anunciar as medidas mais rígidas contra os novos produtos de nicotina.

COP11 entra na reta final de discussões, e foco segue na proposta de banir filtros de cigarros

Olá Jornal
novembro20/ 2025

Durante encontro com representantes da Embaixada do Brasil, deputados federais, estaduais e prefeitos debateram as pautas que devem ganhar destaque nos dois últimos dias da 11ª Conferência das Partes da Convenção-Quadro para o Controle do Tabaco (COP11). Além do embaixador Tovar da Silva Nunes, participou do terceiro encontro com a delegação ligada à cadeia produtiva do tabaco o diplomata Igor Barbosa, chefe da Divisão de Saúde do Ministério das Relações Exteriores.

Barbosa tem intermediado e acompanhado as demandas dos parlamentares, buscando articular o contato com a delegação oficial do Brasil na COP11. O encontro ocorreu na manhã desta quinta-feira, 20, na sede da Missão Permanente do Brasil junto à Organização das Nações Unidas e demais organismos internacionais em Genebra.

Um dos itens em discussão na COP11, referente à reversão das áreas cultivadas com tabaco, não avançou. A proposta, apresentada pelo Canadá, inicialmente contava com emendas do Brasil. No entanto, a delegação brasileira se posicionou contrária a qualquer medida nesse sentido, defendendo a continuidade das políticas de diversificação.

“No pronunciamento oficial, a delegação brasileira afirmou que, para o Brasil, as medidas descritas neste relatório devem ser avaliadas por cada país de acordo com suas circunstâncias nacionais, sem a criação de novas obrigações jurídicas nem compromissos automáticos de adoção. O Brasil também destacou que as estratégias para mitigar os impactos do tabagismo precisam considerar, em especial, a realidade dos países produtores de tabaco”, destaca nota técnica da Conicq.

Filtros

Durante o encontro com representantes do Itamaraty, os parlamentares reforçaram a preocupação com a proposta de banimento dos filtros de cigarros, motivada por seus impactos ambientais. A iniciativa, de autoria do Brasil, já havia sido apresentada na COP10, no Panamá. A análise do tema começou na quarta-feira, 19, com a apresentação dos relatórios sobre a proposta.

Segundo Barbosa, as discussões devem continuar nesta quinta-feira, 20, com articulações entre os países até o período da noite. A expectativa, porém, é de que não haja consenso sobre o assunto, já que países europeus estão solicitando mais estudos sobre os impactos ambientais da eliminação dos filtros.

O setor produtivo do tabaco demonstrou preocupação aos representantes da Embaixada, argumentando que a medida poderia elevar o consumo de produtos de tabaco contrabandeados.

FBNet lança campanha comemorativa pelos 20 anos e apresenta ações especiais para 2026

Olá Jornal
novembro20/ 2025

A FB Net lançou na noite de quarta-feira, 12, sua campanha comemorativa pelos 20 anos de atuação. A empresa, que alcançará a marca em 2026, reuniu a imprensa regional para detalhar as iniciativas que marcarão o ano festivo.

Segundo o CEO Júnior Bohn, a história da empresa é construída sobre credibilidade e eficiência, especialmente evidenciada em momentos críticos, como as recentes enchentes, quando a empresa reforçou esforços para manter o Vale do Taquari conectado. Com sede em Venâncio Aires, a FB Net atende 15 municípios, conta com mais de 100 colaboradores, opera uma frota de 35 veículos, mantém dois data centers redundantes e possui cerca de 800 mil quilômetros de fibra óptica, alcançando aproximadamente 359 mil pessoas.

Para celebrar as duas décadas, a empresa lançou o slogan “FB Net 20 anos: tecnologia que aproxima, a escolha que você merece”, reforçando a conexão humana e a valorização dos clientes. Entre as ações anunciadas está a distribuição da “nota comemorativa de 20 anos”, inspirada em uma cédula de dólar, que dará acesso a promoções, descontos e brincadeiras ao longo do ano.

Bohn explicou que o material terá papel central na interação com o público. “A gente vai usar essa nota nos próximos meses de várias formas, em promoções junto com vocês também. Quem tiver ela em mãos vai poder ganhar algum tipo de desconto, brinde ou participar de brincadeiras especiais. A nota é comemorativa, tem elementos criativos, um robô no centro e até a coordenada da nossa sede. A ideia é aproximar ainda mais o cliente da marca e tornar o ano dos 20 anos mais divertido”, afirmou.

A campanha também inclui o lançamento do novo mascote, o robô FB Dog, que acompanhará eventos, palestras e ações do programa Inspira FB, iniciativa que leva conhecimento sobre tecnologia a escolas, instituições e comunidades.

Mascote da empresa, FB Dog, foi apresentado durante o lançamento da campanha

Outro destaque são as quatro máquinas de pelúcia instaladas nas unidades de atendimento. Clientes que realizarem pagamentos em dia terão direito a tentativas para tentar capturar um brinquedo personalizado. De forma descontraída, o CEO comentou o funcionamento das gruas. “Desafiamos todos os nossos clientes a pegar o seu ursinho. As máquinas não são viciadas, podem ficar tranquilos. Em determinadas tentativas ela facilita a jogada, então depende da habilidade e da sorte. Meu filho pegou na primeira tentativa — eu não consegui”, brincou.

Ao longo do ano comemorativo, a FB Net também sorteará 10 scooters elétricas entre clientes com assinatura em dia ou novos contratantes dos serviços.

Danos por granizo disparam e safra do tabaco ultrapassa 8,9 mil lavouras afetadas

Olá Jornal
novembro20/ 2025

A safra 2025/2026 de tabaco já contabiliza 8.941 lavouras atingidas por granizo, de acordo com dados divulgados pela Associação dos Fumicultores do Brasil (Afubra). O volume representa um aumento de aproximadamente 46,8% em relação ao mesmo período da safra 2024/25, quando haviam sido registrados 6.090 sinistros. O crescimento expressivo revela o impacto mais intenso das condições climáticas adversas sobre as áreas produtoras neste ciclo.

As microrregiões mais afetadas até agora incluem Rio Negro, que lidera o levantamento com 2.245 propriedades danificadas, seguida por Imbituva/Irati, com 1.860 ocorrências, e Santa Cruz do Sul, onde 1.028 lavouras sofreram danos. Também se destacam Santa Maria do Oeste, que soma 742 registros, e Rio do Sul, com 768 lavouras atingidas desde o início da safra. Em diversas outras regiões, como Venâncio Aires, Candelária, Camaquã e Jaguari, os sinistros, embora menores em volume, também contribuem para o cenário de preocupação entre os produtores.

A última semana foi particularmente crítica para os fumicultores. Entre os dias 15 e 17 de novembro, novos episódios de granizo provocaram 788 avisos de sinistro, conforme relatório específico da Afubra. O fenômeno climático afetou múltiplas microrregiões, com destaque para Venâncio Aires, que contabilizou 390 ocorrências, além da região Matriz, com 369 registros. Candelária registrou 10 lavouras atingidas, enquanto Camaquã e São Miguel do Oeste tiveram 8 cada uma. Houve ainda registros isolados em Imbituva e outras localidades, reforçando a ampla extensão dos danos causados pela instabilidade atmosférica.