Municípios analisam encaminhamento de estado de emergência econômica

Guilherme Siebeneichler
junho01/ 2023

A Associação dos Municípios do Vale do Taquari (AMVAT), por meio de assessoria jurídica, estuda e orienta os prefeitos da região quanto à possibilidade de decretarem estado de emergência econômica face às consequências advindas do momento de extrema dificuldade enfrentado pela Cooperativa Languiru. Essa foi uma das pautas tratadas pela entidade em assembleia realizada na manhã de hoje, dia 01 de junho, na CIC Teutônia.

O prefeito de Colinas, Sandro Herrmann, apresentou levantamento preliminar dos impactos para a economia dos municípios. “Tomando por base dados de 2021 e 2022, se a Languiru vier a parar com suas atividades nos segmentos de aves, suínos, leite, indústria e comércio, o Vale do Taquari deixa de arrecadar cerca de R$ 68,2 milhões em geração de ICMS, direta e indiretamente, redução que iniciaria a partir do próximo ano. São recursos que deixam de circular nos municípios. Para algumas cidades a movimentação da Languiru representa 45% do ICMS, isso inviabilizaria muitos municípios. A Languiru corresponde à aproximadamente 15% de toda movimentação de ICMS da região. Não se trata apenas de uma questão de sobrevivência da Cooperativa, mas de todos nós. São números assustadores”, alertou.

Diante disso está sendo analisado, município por município, com acompanhamento da AMVAT, o decreto de estado de emergência econômica, almejando acesso a recursos financeiros e refinanciamento de créditos tomados, especialmente pelos produtores rurais.

Presidente e vice-presidente da Languiru, Paulo Birck e Fábio Secchi, respectivamente, apresentaram números e plano de reorganização da Cooperativa na assembleia da entidade regional, um mês após assumirem os cargos. “O discurso quanto ao desempenho econômico e financeiro da Languiru iniciou justamente em reunião da AMVAT no fim de 2022, com anúncio de demissões e tudo mais que se sucedeu desde então. São decisões duras, mas a situação é extremamente complexa. No curtíssimo prazo precisamos de aporte de recursos. Além disso, estamos negociando unidades de varejo e industriais, seja por meio de parcerias ou vendas, mantendo os negócios que apresentam resultado operacional positivo. Se continuarmos insistindo em setores que drenam nossos escassos recursos, como é a suinocultura, vamos acabar com todos os associados. Também estamos renegociando com credores de instituições financeiras e reduzindo o volume de produção na avicultura. Precisamos estancar o prejuízo para podermos seguir e cumprir com os compromissos da Cooperativa, evitando que essa conta fique para os produtores”, enfatizou Birck.

Paralelamente a isso, Secchi falou em união de esforços para levar a Languiru ao ponto de segurança. “Os desafios são enormes, mas com transparência e o diagnóstico correto, de mãos dadas, podemos transpor esse momento. Não se trata de um problema meu, do Paulo ou dos associados. Se não conseguirmos avançar, o Vale do Taquari irá empobrecer muitos anos. Humildemente, viemos aqui pedir ajuda pela sobrevivência da Languiru. Eu tenho esperança e a certeza de que há um exército ao lado da Cooperativa”, disse.

Negociações

A Cooperativa segue com várias negociações de parceria ou venda em andamento nos diversos segmentos em que atua, especialmente do varejo (lojas Agrocenter, Supermercados, Postos de Combustível e Farmácias), muitas delas com empresários e empresas que já atuam na região.

Também está atenta à cadeia leiteira, com grandes possibilidades de ampliação no volume de produção de matéria-prima a partir da parceria firmada com a Lactalis do Brasil, com indústria instalada em Teutônia; e de aproveitamento da capacidade produtiva da Fábrica de Rações Languiru, em Estrela, com parceria já firmada com a Cooperagri, de Teutônia, e outra possibilidade com negociações avançadas.

“As coisas estão acontecendo, há coisas boas por vir. Temos negociações em andamento, que por questões de confidencialidade, serão anunciadas assim que concretizadas. A Languiru precisa encolher, terá um faturamento menor, mas com resultado. O importante não é ser grande, mas ser forte e profissional. Eu tenho esperança”, concluiu Birck.

Nesta sexta-feira, dia 02, a Languiru recebe representantes da Frente Parlamentar do Cooperativismo (Frencoop), bancada formada por deputados e senadores da causa cooperativista. O encontro ainda deverá contar com a participação de prefeitos da AMVAT e do G7 (Colinas, Imigrante, Fazenda Vilanova, Paverama, Poço das Antas, Teutônia e Westfália), representantes de sindicatos rurais e conselheiros de Administração da Languiru.

Apoio

O prefeito de Estrela e presidente da AMVAT, Elmar Schneider, demonstrou preocupação. “A conversa com presidente e vice da Languiru oportuniza que todos os prefeitos tomem par da situação, o que está sendo feito pela Cooperativa e como podemos ajudar. São números que refletem nos municípios. A pauta é dura, mas precisamos levar otimismo, especialmente aos produtores rurais.”

O prefeito de Teutônia, Celso Aloísio Forneck, falou em esperança. “A Languiru passa por momento grave, mas todos juntos vamos conseguir resolver essa situação da melhor maneira possível. Tenho a convicção de que vão-se os anéis, mas permanecem os dedos. Precisamos evoluir com a questão do decreto de emergência econômica, mas com cautela, sem corrermos o risco de que não seja aprovado e aumente a frustração da sociedade. De posse de dados e propostas, precisamos ter a garantia de que as coisas aconteçam na busca por recursos.”

A prefeita de Poço das Antas e presidente do G7, Vânia Brackmann, chamou atenção para os impactos do fechamento do Frigorífico de Suínos da Languiru no município, que pode ocorrer até o dia 12 de julho. “Somos 2,2 mil habitantes, o frigorífico emprega cerca de 600 pessoas, embora uma minoria talvez seja local. Estamos visitando as propriedades rurais para ouvir os produtores, auxiliando inclusive para que possam entregar a produção para outras empresas. Precisamos passar tranquilidade à comunidade, apesar da grande dificuldade. Tenho esperança de que é cíclico e vamos dar a volta por cima, quem sabe com outra empresa comprando o frigorífico”.

CRÉDITO: AI

Guilherme Siebeneichler