A comercialização da safra atual de tabaco iniciou em ritmo mais lento neste ano. De acordo com a Associação dos Fumicultores do Brasil (Afubra), até o dia 07 de março, 12,4% da produção havia sido comercializada nos três estados do Sul. No Rio Grande do Sul, a comercialização atinge 11,1%, segundo o levantamento da entidade.
Segundo o presidente da Afubra, Marcílio Drescher, o andamento mais devagar está relacionado a diferentes fatores. Um deles é o atraso no ciclo da safra. A colheita e o processo de cura do tabaco ocorreram mais tarde em comparação a anos anteriores, o que também acaba refletindo no início das negociações entre produtores e indústrias.
Além disso, o cenário de mercado mudou em relação às últimas safras. Em anos anteriores, a comercialização ocorria com mais facilidade, muitas vezes com menos rigor na classificação das folhas, principalmente devido à menor oferta do produto.
Na safra passada, porém, houve aumento na produtividade e na produção no país. Esse crescimento contribuiu para equilibrar os estoques brasileiros e também a relação entre oferta e demanda no mercado internacional.
Conforme Drescher, mesmo com volumes expressivos de exportação, o mercado global tem limites e exige equilíbrio. “O tabaco precisa ter uma demanda equilibrada com a oferta, ou vice-versa, para que também haja um preço adequado”, explica.
Outro fator que influencia o atual cenário é a concorrência internacional. Com a valorização do tabaco nos últimos anos, outros países ampliaram a produção, aumentando a oferta no mercado mundial e pressionando os preços pagos ao produtor.
Apesar do pequeno recuo na média de valores nesta safra, Drescher ressalta que a qualidade segue sendo determinante para a rentabilidade do produtor. “Mesmo assim, o produtor que tem produtividade, faz a classificação correta e preza pela qualidade consegue ter um rendimento de subsistência e uma vida digna, como merece”, destaca.
