A safra 2025/2026 de tabaco na região Sul do Brasil se aproxima do fim da colheita, mas ainda avança em ritmo mais lento na comercialização. Segundo o tesoureiro da Associação dos Fumicultores do Brasil (Afubra), Fabrício Murini, 93% das lavouras já foram colhidas nos três estados produtores, Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Paraná.
De acordo com Murini, 7% das lavouras ainda permanecem no campo, expostas a riscos climáticos, como granizo. Esses produtores, contudo, contam com amparo do sistema mutualista mantido pela entidade. Os dados levam em consideração informações até a última semana de fevereiro, entre os dias 23 a 28.
Apesar do avanço na colheita, a comercialização segue em ritmo reduzido. Até o momento, apenas 8% da produção foi comercializada na soma dos três estados.
Murini explica que a safra foi marcada por um inverno mais severo, o que dificultou a produção de mudas e atrasou o transplante. Como consequência, todo o ciclo produtivo sofreu atraso. Além disso, a maioria das empresas compradoras iniciou as aquisições apenas em janeiro, com poucas operações registradas em dezembro.
Esse cenário resultou em negociações mais lentas e produtores apreensivos, especialmente diante da expectativa por reajustes que garantam maior valorização e sustentabilidade da atividade.
CLASSIFICAÇÃO
Os produtores da variedade Burley enfrentam maior dificuldade na comercialização nesta safra, conforme relata o dirigente. Há também queixas quanto ao maior rigor na classificação por parte das empresas, o que impacta diretamente na rentabilidade.
A Afubra afirma que acompanha semanalmente os índices de comercialização e mantém diálogo com as empresas integradoras para que haja uma classificação adequada e justa.
NORMALIDADE
O inverno rigoroso marcou o início da safra 2025/2026. Algumas microrregiões sofreram com estiagem, enquanto outras registraram chuvas intensas. Ainda assim, segundo estimativas apuradas em novembro pela entidade, a produção geral dos três estados é considerada dentro da normalidade.
Na variedade Virgínia, predominante na região Sul, a qualidade é avaliada como muito boa, especialmente nas áreas onde a colheita ocorreu mais cedo, como no litoral. Já o Burley apresentou problemas pontuais na fase de cura em algumas regiões, mas, no geral, também mantém padrão considerado satisfatório.
VALORIZAÇÃO
Com a colheita praticamente concluída e a comercialização ainda incipiente, o sentimento predominante entre os fumicultores é de expectativa. A categoria aguarda avanço nas negociações e reajustes que assegurem rentabilidade diante dos desafios climáticos e do aumento de custos.
