A Associação dos Fumicultores do Brasil (Afubra) começou, na terça-feira (24), a primeira rodada de pagamentos do Sistema Mutualista aos associados com lavouras de tabaco atingidas por granizo na safra 2025/2026. Nesta primeira liberação, os repasses somaram R$ 88 milhões, o equivalente a 38% do total de indenizações contabilizadas até o momento.
Segundo o tesoureiro da Afubra, Fabrício Murini, o cronograma segue uma ordem definida. “O primeiro pagamento sempre tem valores mais expressivos”, afirmou, ao explicar que entram inicialmente as lavouras com inscrição quitada à vista, as perdas acima de 75% e as OPs quitadas via empresa integradora — seguindo a lógica operacional do Sistema Integrado, com quitação de OPs e pagamentos semanais. O próximo está previsto para terça-feira, 3 de março, com mais R$ 35 milhões. Com isso, a entidade projeta alcançar R$ 123 milhões pagos por danos em lavouras, o que representaria 51% dos prejuízos apurados até a presente data.
Murini também chama atenção para outros auxílios cobertos pelo Sistema Mutualista. “O nosso sistema mútuo garante também o auxílio funeral e também o auxílio reconstrução de estufa”, destacou. Na safra 2025/2026, segundo ele, as reconstruções de estufas já passam de R$ 13 milhões, e os auxílios funerais superam R$ 10 milhões — levando o total (lavouras + estufas + funerais) para mais de R$ 260 milhões.
GRANIZO – De uma safra para outra, houve aumento no número de lavouras sinistradas. De 17.694 na safra passada, o total chegou a 24.392 nesta safra — alta de 38%, conforme o tesoureiro. Murini lembrou que, em 2024/2025, o granizo foi menos severo do que a média recente; já em 2025/2026, a incidência voltou a patamares mais elevados, com registros de danos severos e perdas totais em algumas áreas. Entre as regiões mais atingidas, ele citou: Rio Grande do Sul (microrregiões de Santa Cruz do Sul e Venâncio Aires); Santa Catarina (microrregião Rio do Sul e Ituporanga); e Paraná (microrregiões de Rio Negro e Imbituva).
Apesar de a colheita estar perto do fim, Murini alertou que ainda há risco: cerca de 93% das lavouras já foram colhidas, mas 7% permanecem no campo e seguem expostas a intempéries — e, se houver novas ocorrências, os associados continuam amparados pelo Sistema Mutualista.
SAFRA – Na avaliação da Afubra, a safra 2025/2026 ocorre “dentro da normalidade” nos três estados do Sul, apesar de um ciclo considerado mais atípico no início. Murini relata inverno mais severo, dificuldades na produção de mudas e transplante mais atrasado, o que empurrou etapas do calendário e contribuiu para um ritmo mais lento de comercialização. Até esta semana, a entidade apurou apenas 8% de tabaco comercializado somando Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Paraná, com a maioria das empresas iniciando compras somente em janeiro.
Quanto ao produto, Murini indicou qualidade boa no Virgínia. No Burley, apontou que algumas regiões mais precoces tiveram cura mais afetada, enquanto outras áreas seguem com boa qualidade, embora produtores relatem maior rigor de classificação em parte das empresas nesta safra.
CLSSIFICAÇÃO NA PROPRIEDADE – Murini lembra que esta é a segunda safra no Rio Grande do Sul com a classificação obrigatória na propriedade, por força de lei estadual. “As empresas vêm ajustando o modelo, com contratação de mais classificadores e qualificação de orientadores agrícolas, e que as dificuldades iniciais tendem a ser superadas ao longo da safra”.
Em Santa Catarina e Paraná, o tema segue em debate nas assembleias, mas ainda não evoluiu para lei estadual. Nesses estados, a comercialização continua com classificação na esteira das empresas integradoras, com o produtor podendo acompanhar o processo. Para Murini, a presença do produtor no ato da classificação é importante para “discutir” e “valorizar” o produto entregue.
CRÉDITO: AI Afubra
