Neste Dia Nacional do Campo Limpo, celebrado em 18 de agosto, vale destacar uma iniciativa que há anos contribui para a sustentabilidade no meio rural: o Programa de Recebimento de Embalagens Vazias de Agrotóxicos, desenvolvido pelo setor do tabaco. A ação vai até as comunidades rurais para a coleta das embalagens vazias, que são entregues pelos produtores previamente limpas, perfuradas e secas.
Para isso, roteiros itinerantes organizados percorrem em torno de 13 mil quilômetros por ano, fazendo o recebimento das embalagens nas regiões produtoras de tabaco do Rio Grande do Sul e de Santa Catarina. Atualmente, são atendidos 111 mil produtores rurais em 394 municípios, com o recebimento em 1.800 pontos de coleta em localidades próximas das propriedades produtoras de tabaco.
Ao longo de sua trajetória iniciada em outubro do ano 2000, O Programa já percorreu aproximadamente 338 mil quilômetros, ou seja, uma distância que equivale a 8,44 voltas ao redor do planeta Terra. Os dados consolidados desde agosto de 2014 (até julho de 2026) mostram 156.173,3 quilômetros rodados pelas equipes de recebimento, em 93 roteiros realizados para receber os recipientes vazios nas localidades rurais.
O Programa de Recebimento de Embalagens é uma ação pioneira, executada há quase 26 anos, numa iniciativa do Sindicato Interestadual da Indústria do Tabaco (SindiTabaco) e de suas empresas associadas, em parceria com a Associação dos Fumicultores do Brasil (Afubra). Desenvolvido desde outubro de 2000, o Programa passa por pontos de coleta em localidades rurais para o recebimento das embalagens, conforme roteiros previamente estabelecidos e amplamente divulgados na mídia e pelos orientadores agrícolas das empresas associadas.
A coordenadora do programa, Fernanda Viana Bender, explica que o material é encaminhado aos postos e centrais do Instituto Nacional de Processamento de Embalagens Vazias (InpEV), entidade que representa a indústria fabricante no Sistema Campo Limpo. “Quanto ao destino das embalagens recebidas pelo programa, 100% dos recipientes rígidos – que são a quase totalidade dos produtos usados no tabaco -, são reciclados e transformados em outros produtos plásticos, especialmente insumos para a construção civil e outras embalagens para produtos químicos”, conta. Já as embalagens impróprias para reciclagem, como as flexíveis, têm como destino a incineração controlada.
Construído ao longo de mais de duas décadas, o Sistema Campo Limpo já garantiu a destinação ambientalmente correta de mais de 900 mil toneladas de embalagens vazias de defensivos agrícolas. Apenas em 2025, foram destinadas 75.996 toneladas, o maior volume anual da história do Campo Limpo e um crescimento de 11% em relação ao ano anterior. Atualmente, 100% das embalagens devolvidas recebem destinação ambientalmente correta, sendo 92% encaminhadas para reciclagem, retornando ao ciclo produtivo na forma de 38 artefatos homologados utilizados em diferentes setores da economia.
“O Dia Nacional do Campo Limpo é o momento em que todo o Sistema Campo Limpo se mobiliza para celebrar as pessoas que fazem a logística reversa acontecer diariamente. Neste ano, teremos uma cerimônia em Brasília, realizada em parceria com o Senar, ao mesmo tempo em que centenas de iniciativas acontecerão em todo o Brasil, visita a agricultores e as unidades de recebimento, atividades em escolas, ações com comunidades, homenagens e encontros com parceiros. Essa diversidade mostra que, independentemente do formato, todas as ações têm o mesmo propósito: reconhecer e celebrar o compromisso dos elos que fizeram do Brasil uma referência mundial em logística reversa de embalagens vazias de defensivos agrícolas”, afirma Marcelo Okamura, diretor-presidente do Instituto Nacional de Processamento de Embalagens Vazias (inpEV).
Saiba mais
O programa do setor do tabaco antecede a legislação sobre logística reversa, de 4 de janeiro de 2002 (Artigo 53 do Decreto nº 4.074), que determina que os “usuários de agrotóxicos e afins devem efetuar a devolução das embalagens vazias e respectivas tampas aos estabelecimentos comerciais em que foram adquiridas, observadas as instruções constantes dos rótulos e das bulas, no prazo de até um ano, contado da data de sua compra”. No Paraná, iniciativas semelhantes realizadas pelas centrais locais de recebimento são apoiadas pelas empresas associadas ao SindiTabaco.
Mitos e fatos
- A cultura do tabaco está entre as que menos utilizam defensivos agrícolas. Estudo da Esalq/USP, com dados do Sindiveg (2016), aponta consumo de 1,01 quilo de ingrediente ativo por hectare (i.a./ha), muito abaixo de culturas como o tomate, que utiliza 46 kg de i.a./ha.
- A maior parte dos produtos utilizados no tabaco é classificada pela Anvisa nas categorias 4 e 5 (pouco tóxico e improvável de causar dano agudo) ou como produto não classificado. As empresas associadas ao SindiTabaco não recomendam produtos com rótulo vermelho, de maior toxicidade.
- Boas práticas agrícolas e o uso de agentes biológicos para controle de pragas contribuem para reduzir ainda mais a necessidade de defensivos.
- Intoxicações por agrotóxicos podem ser evitadas com o uso correto de Equipamentos de Proteção Individual (EPIs) e o cumprimento das orientações de segurança. Para isso, o setor investe em cartilhas, campanhas e seminários de conscientização, além do fornecimento dos EPIs aos produtores a preço de custo, pela empresa integradora.
Dia Nacional do Campo Limpo – O Dia Nacional do Campo Limpo convida a sociedade para celebrar as vitórias do campo e a dedicação de todos os elos da cadeia que contribuem para um agro mais sustentável. Data que integra o Calendário Nacional desde 2008, por meio da lei federal nº 11.657, o Dia Nacional do Campo Limpo é organizado pelo Sistema Campo Limpo, o programa brasileiro de logística reversa de embalagens vazias de defensivos agrícolas, e celebra um modelo baseado na responsabilidade compartilhada, na educação ambiental e na economia circular.
CRÉDITO: AI SindiTabaco
