Projeto de Feira Estadual do Mel é apresentado na Câmara Setorial da Apicultura e Meliponicultura

Olá Jornal
dezembro04/ 2025

A Câmara Setorial da Apicultura e Meliponicultura esteve reunida na terça-feira (2/12), em formato híbrido, para debater diversos assuntos, como o projeto de feira estadual e a inclusão no mel na alimentação de escolas, entre outros assuntos.

O analista de políticas públicas, Eduardo Geyer e o diretor Paulo Roberto da Silva, do Departamento de Governança dos Sistemas Produtivos da Secretaria da Agricultura, Pecuária, Produção Sustentável e Irrigação (Seapi), abriram a reunião e destacaram o crescimento que o setor da apicultura vem apresentando com melhorias nos produtos derivados do mel, a profissionalização da produção e o excelente nível técnico dos profissionais envolvidos na área.

O coordenador da Câmara Setorial, Patric Lüderitz, que participou em setembro do Congresso Apimondia, sendo um dos representantes do Brasil no maior evento de apicultura do mundo, relatou os assuntos dominantes no encontro com temas como a qualidade do mel, o trabalho de tarifas que incidem sobre o produto e a preocupação de produzir mel sem contaminantes. “Em termos competitivos, no Brasil, e consequentemente no RS, as tarifas ainda incidem sobre o produto. Produtores que estavam em Kopenhagen (Dinamarca) debateram a taxação. Outra questão são os contaminantes por deriva, que dificultam a entrada do produto nos Estados Unidos e Europa. O Congresso teve apresentação de muitas tecnologias”, destacou o coordenador da Câmara.

Projeto de Feira Estadual do Mel

O analista agropecuário e florestal da Seapi, Nadilson Roberto Ferreira, apresentou a proposta ao grupo gestor sobre a elaboração de uma feira estadual para a cadeia produtiva do mel. Ferreira explicou que a demanda de apicultores e meliponicultores que procuram a Seapi para que se organize um encontro do setor é bem significativa. “Um evento incorporado dentro do calendário estadual, vai estar valorizando a participação dos produtores cadastrados no mercado, divulgando o produto e o serviço que as abelhas fazem à sociedade”, enfatizou Nadilson Ferreira.

O analista da Seapi também explicou que feiras e encontros, além de trocas de experiências, buscam a integração de outras instituições, ajudando a divulgar a cultura alimentar do mel.

Projeto de Lei nacional de inclusão do mel na alimentação escolar

A apresentação do analista de saúde e nutricionista, José Augusto Sattler, descreveu o documento técnico da inclusão do mel na merenda escolar com base científica e articulação política para ser encaminhado à Secretaria da Educação do RS. “A inclusão no Plano Nacional de Educação (PNAE) do mel atinge um público de 2,2 milhões de estudantes do ensino básico no Estado e gera um impacto significativo no setor apícola. Além da valorização da agricultura familiar, a biodiversidade, a agroecologia, a educação ambiental e fortalecimento do mel como alimento pertencente à cultura alimentar, a questão da regulamentação técnica do mel está bem avançada”, informou o analista de saúde. De acordo com José Augusto Satller, o PNAE já estabelece um percentual de 30% vinda da agricultura familiar para alimentação escolar e este percentual está sendo projetado para 45%, o que poderá garantir um fluxo mais amplo para a comercialização dos produtos derivados do mel.

Diretrizes e perspectivas do setor apícola

Para o professor da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), Aroni Sattler, o treinamento técnico de equipes profissionais e a incidência dos impactos regulatórios e fiscais sobre o controle de mortalidade de abelhas no Estado buscam encontrar soluções para as prioridades e desafios do setor produtivo. De acordo com Aroni Sattler, com a declaração de rebanho atualizada será possível controlar a população de abelhas e o potencial do setor produtivo no RS.

Por sua vez, o Fiscal Estadual Agropecuário (FEA) do Departamento de Vigilância e Defesa Sanitária Animal (DDA/ Seapi) e coordenador do Programa de Sanidade Apícola do RS, Gustavo Nogueira Diehl, esclareceu que o cadastro de apicultores no RS, antes da pandemia de 2020, totalizava 30 mil. Hoje, somam 22 mil produtores. Segundo Diehl, com a atualização cadastral será possível ter uma ideia geral sobre a cadeia produtiva e derivados do mel. A Emater se colocou à disposição para que um levantamento apícola seja incluso no cadastro anual de declaração de rebanho.

O pesquisador agropecuário da Seapi, Lucas de Moraes, apresentou uma lista de laboratórios credenciados a examinar a qualidade do mel produzido no RS. Lucas ressaltou que é preciso buscar alternativas viáveis para o produtor, seja por laboratórios privados credenciados ou por intermédio de laboratórios ligados às instituições públicas que possam atestar a qualidade do mel. Essa operação é necessária para atestar e garantir a qualidade do produto.

Participaram da reunião as seguintes entidades: Associação Gaúcha de Empresas Florestais (Ageflor), Confederação Brasileira de Apicultura (CBA), Emater/RS-Ascar, Federação da Agricultura do Estado do Rio Grande do Sul (Farsul), Federação Apícola do Rio Grande do Sul (Fargs), Federação das Associações de Municípios do Rio Grande do Sul (Famurs), Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), Sebrae/RS, Universidade Estadual do RS (Uergs), Universidade Federal do RS (UFRGS), Secretaria do Meio Ambiente e Infraestrutura (Sema) e Seapi.

CRÉDITO: AI SEAPI RS

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