Produtores de tabaco estão na elite brasileira, afirma pesquisador

Olá Jornal
outubro28/ 2023

Com o dobro de renda per capita mensal da média no país, R$ 3.935,40 contra R$ 1.625,00 no Brasil, o produtor de tabaco está na elite da sociedade brasileira. A avaliação é do professor Dr. Luiz Antonio Slongo, coordenador do Perfil socioeconômico do produtor de tabaco da Região Sul do Brasil, realizado pelo Centro de Estudos e Pesquisas em Administração (CEPA/UFRGS).

A segunda edição da pesquisa aponta que, o percentual de produtores de tabaco na camada “A” é de 6,7%, o que equivale a mais do que o dobro do que é verificado em termos gerais no Brasil. Apenas 2,9% da população brasileira enquadram-se nesta faixa. A grande parcela dos produtores de tabaco está na classe “B2”, com 67,2%. Este percentual corresponde a mais de quatro vezes o que se verifica em termos nacionais, onde, neste estrato, enquadram-se somente 16,7%.

“O produtor de tabaco está na elite da sociedade brasileira. Nós estamos muito mais com o nível socioeconômico do último quartil, digamos, dessa situação social do que nos demais. A pesquisa é nítida. Eu não tenho nenhuma dúvida que nós estamos falando de famílias que vivem muito bem. Logicamente que eu não vou entrar no mérito da dificuldade que eles têm. Obviamente, eles têm. Não é fácil a vida de um produtor agrícola, seja ele de que natureza for, obviamente. Mas esse esforço que ele faz, pelo que a gente percebe aqui, ele é bem compensado, diferentemente de outras situações que existem no Brasil”, avalia.

RIQUEZA
O que mais chama atenção do pesquisador é o fato de pequenas propriedades gerarem tamanha riqueza. “O que realmente salta os olhos, desde a edição de 2016, é produtores tão pequenos e que conseguem ter um nível socioeconômico tão elevado. São pequenos produtores, muito pequenos, eu diria, porque eles têm pouco mais do que um sítio, muitas vezes, e ele consegue transformar esse pequeno sítio, essa pequena propriedade, numa situação tão rentável”.

De acordo com Slongo, os dados mostram que o produtor familiar é destaque. “Na minha ideia, o pequeno produtor estava fadado a passar dificuldade, a ser menosprezado, a ser relegado a um segundo plano. Não tem nada na pesquisa que indique para isso. Então essa foi, essa é a minha grande surpresa positiva com relação aos números da pesquisa”, afirma.

Esta relevância é reconhecida pelo próprio produtor, sendo que 91,6% tem satisfação de trabalhar na atividade agrícola e 84% sente-se bem em plantar tabaco. “Constata-se ainda na pesquisa que os produtores apresentam um elevado grau de satisfação com a sua condição de agricultor e, em especial, por ser produtor de tabaco. Esta constatação é ratificada pela boa autoavaliação que eles fazem da sua condição de vida”, explica o professor.

Assim como a primeira edição, realizada em 2016, o estudo foi encomendado pelo SindiTabaco e conduzido no período entre 30 de junho a 20 de julho de 2023, em 37 municípios produtores de tabaco que compõem a Região Sul do Brasil. A população considerada é composta por produtores de tabaco da Região Sul e, para efeitos de amostra, considerou-se um total de 1.145 casos, com erro amostral máximo de 2,9%.

Segundo o presidente do SindiTabaco, Iro Schünke, os resultados reafirmam a importância econômica e social do tabaco no meio rural. “Em muitos momentos temos ouvido que o produtor de tabaco vive em uma situação de vulnerabilidade, mas a pesquisa desmonta essa narrativa. Assim como aconteceu em 2016, os resultados não surpreendem quem conhece o setor do tabaco, mas eles vão impressionar quem ainda consome informações com fontes ideológicas”.

DADOS DA PESQUISA

  • Considerando-se todas as fontes de renda, os produtores de tabaco da Região Sul do Brasil atingem uma renda mensal total média de R$ 11.755,30
  • 73% dos produtores de tabaco dispõem de outras rendas, além daquela proveniente do cultivo do tabaco. Essas outras rendas provêm do cultivo de outros produtos agrícolas e de outras fontes de renda, tais como: aposentadorias, empregos fixos ou temporários, atividades autônomas, aluguéis, arrendamentos, ou rendimentos de aplicações financeiras.
  • Quase 73% têm a alvenaria como material predominante na construção
  • Quase 72% têm três ou mais dormitórios por domicílio
  • Todos os domicílios têm, pelo menos, um banheiro ou sanitário, sendo que quase 36,4% têm mais de um
  • Quase 95% têm fossa séptica para esgoto
  • 29% têm poço artesiano e 97,1% têm água encanada
  • Quase todos possuem acesso à energia elétrica, via rede geral de distribuição (98,6%)
  • 13,5% têm acesso a outras fontes, sendo destas 12,3% de energia solar
  • Praticamente 100% têm água aquecida (99,6%), pelo menos para banho
  • 100% têm automóvel ou caminhonete e 62,7% têm motocicleta
  • 13,7% têm outro imóvel, além daquele utilizado para morar (eram 10% em 2016)
  • Mais de 97% têm máquina de lavar roupa e 65% têm também secadora de roupa
  • 33,4% têm ar condicionado; 80,7% têm ventilador e 57,2% dos domicílios têm aspirador de pó
  • 88,6% têm forno elétrico e 67,2% têm forno de micro ondas
  • 80,9% dos produtores possuem trator e 13,4% microtrator
  • Praticamente 100% têm televisor a cores, sendo 90,5% do tipo tela plana
  • 100% têm, pelo menos, um celular e 36% dispõem de computador
  • Quase 94% têm acesso à internet, sendo mais de 92% na própria residência
  • Quase 60% dos chefes de família têm mais de 8 anos de estudo, destes 32,2% têm mais de 11 anos de estudo, sendo segundo grau completo e até cursos superiores, completos ou incompletos
  • 95,6% deles já fizeram cursos sobre manuseio seguro de agrotóxicos
  • 50,2% já fizeram cursos de manejo correto do solo
  • 46,4% já fizeram algum curso sobre organização ou gestão de propriedades rurais
  • 98% se dizem bem informados sobre as técnicas de colheita segura do tabaco
  • 96% desses produtores recebem assistência técnica de empresas
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