
Nesta terça-feira, 28 de outubro, é celebrado o Dia Mundial do Produtor de Tabaco, data criada em 2012 para valorizar o trabalho de milhares de famílias que têm no cultivo da folha sua principal fonte de renda. Embora ainda pouco lembrada no Brasil, a data destaca a relevância de uma atividade que sustenta comunidades, movimenta economias locais e garante o desenvolvimento de regiões inteiras, especialmente no Sul do país.
Segundo a Associação dos Fumicultores do Brasil (Afubra), o cultivo do tabaco é uma atividade legal, legítima e altamente rentável, responsável por assegurar estabilidade financeira a pequenas propriedades rurais. O presidente da entidade, Marcílio Laurindo Drescher, reforça que a fumicultura é muito mais do que uma simples cultura agrícola, trata-se de um alicerce para a economia familiar.
“Por trás de um dos principais produtos agrícolas de exportação do país está uma classe trabalhadora que, com dedicação e esforço diário, movimenta a economia, sustenta suas famílias e contribui para o desenvolvimento rural”, ressalta Drescher.
Além da relevância econômica, o dirigente lembra que os fumicultores também diversificam suas produções, dedicando parte das propriedades ao cultivo de grãos, hortaliças e criação de animais. Em média, 45% da renda dessas famílias vem de outras atividades, o que demonstra que o tabaco funciona como um pilar de sustentação e planejamento.
Já para o presidente do Sindicato Interestadual da Indústria do Tabaco (SindiTabaco), Valmor Thesing, a data é um momento de reconhecimento e reflexão. Ele lembra que 138 mil produtores de tabaco atuam em 525 municípios brasileiros, consolidando o setor como um dos pilares da agricultura familiar.
“Por ser uma produção que proporciona alta renda em pequenas áreas de terra, comunidades inteiras dependem do tabaco para garantir dignidade e oportunidades no meio rural. Sem essa cultura, muitos municípios seriam fortemente prejudicados”, destaca Thesing.
O dirigente também enaltece o Sistema Integrado de Produção de Tabaco, que garante aos agricultores assistência técnica, apoio financeiro e segurança na comercialização da safra — uma condição rara em outras atividades agrícolas. O modelo, segundo ele, assegura estabilidade e sustentabilidade à cadeia produtiva, além de reforçar a competitividade do Brasil no mercado internacional.
Mesmo diante de desafios e pressões regulatórias, especialmente às vésperas da 11ª Conferência das Partes da Convenção-Quadro para o Controle do Tabaco (COP 11), os representantes do setor defendem diálogo e reconhecimento aos produtores.
“Valorizar o produtor de tabaco não significa negar os desafios, mas sim incluir nesse debate quem está na base da cadeia produtiva”, completa Thesing.
Mais do que uma data comemorativa, o Dia do Produtor de Tabaco é um convite à reflexão sobre o papel desses agricultores no desenvolvimento do país. Como reforça Drescher, “é justo reconhecer a importância do produtor de tabaco — ele exerce uma profissão digna, honesta e essencial para o equilíbrio econômico de diversas regiões do Brasil”.
