
Neste ano em que o Olá Jornal completa uma década de circulação em Venâncio Aires, histórias de leitores reforçam a importância do veículo para a comunidade. Entre elas, destaca-se a de Ana Júlia Riedel, 19 anos, estudante de Educação Especial na UFSM, que teve sua formação acadêmica e pessoal influenciada pelo jornal desde a infância.
“Minha história com o Olá começou em 2015, nas primeiras edições. Acredito que na segunda edição, que mostrava a imagem da Terra vista do espaço. Achei incrível ter um jornal gratuito, com dicas de filmes, horóscopo e um gato sempre com um tipo de humor — nosso amigo Olávo”, recorda Ana Júlia. Ela lembra de recortar e guardar as frases do personagem, tentando decifrar o humor dele conforme as manchetes da época. A expectativa pela próxima edição misturava ansiedade e curiosidade. Um ritual que a fazia correr até o supermercado Lenz, a mercearia Girassol ou a rodoviária, apenas para garantir sua leitura do fim de semana.

O Olá Jornal, para Ana Júlia, ultrapassou o papel de simples veículo informativo. “Ele teve uma importância enorme na construção de quem sou hoje. O acesso gratuito à cultura e à informação me ensinou que muitas coisas valiosas na vida não têm preço, mas sim valor simbólico e afetivo”, comenta. Inspirada por essa vivência, Ana Júlia desenvolveu projetos artísticos e sociais, transformando seu aprendizado em ações concretas para a comunidade.
Um exemplo é sua participação no projeto “A Escola te Abraça”, criado pelo curso de Pedagogia Noturno após as enchentes de 2024. O projeto surgiu para alfabetizar adolescentes que ainda não tinham domínio da leitura e escrita, e Ana Júlia trouxe edições do Olá para trabalhar as notícias com os estudantes. A curiosidade dos jovens era imediata: muitos se encantavam ao descobrir que o jornal era gratuito, e alguns chegaram a manifestar o desejo de visitar Venâncio Aires. “Teve um menino que disse que quando tivesse um gato, ele ia chamar de Olávo Júnior”, lembra. Hoje, o projeto continua atendendo crianças, e as edições do Olá permanecem como ferramenta educativa e de estímulo à leitura.
A influência do jornal também acompanhou Ana Júlia em sua trajetória literária. Em 2021, aos 15 anos, publicou seu primeiro livro, Caçador de Estrelas, seguido em 2023 por Estrelas na Gaveta de Sentimentos. Este ano, junto com colegas do projeto “A Escola te Abraça”, lançou uma cartilha para alfabetização. “O Olá me inspirou a fazer arte urbana e acessível, escrever para todos que leem, e mostrar que o valor das coisas muitas vezes está no afeto e na transformação que proporcionam”, explica.
Carla Inês Schwaickhardt, mãe de Ana Júlia e professora de Ciências Humanas no CAJ, confirma o impacto do jornal na família. “A proposta do Olá sempre me encantou. Layout diferenciado, notícias claras e atividades para meus filhos. A Ana se alfabetizou vendo o que Olávo escrevia. Já usei várias reportagens do jornal em trabalhos escolares, e até meu outro filho, Felipe, que prefere o digital, aproveita o jornal para se informar e participar de atividades, como sorteios, e plantar sementes que veem com o jornal”, referindo-se às ações ambientais realizadas pelo Olá onde sementes são distribuídas junto a edição impressa.
Para Carla, o Olá Jornal cumpre um papel fundamental na formação de leitores críticos e engajados. “Estar conectados ao que acontece no mundo é essencial. O jornal instiga a leitura de palavras, de idéias e da vida. Ele não só informa, mas promove cidadania e curiosidade”, acrescenta.
Ao longo desses dez anos, o Olá Jornal se consolidou como mais do que um veículo de comunicação. Tornou-se referência em democratização do acesso à informação, incentivo à cultura e promoção de valores afetivos. A história de Ana Júlia Riedel é um exemplo de como um jornal gratuito pode transformar vidas, inspirar jovens a criar, ensinar e construir uma comunidade mais participativa e consciente.
