O inverno começa oficialmente no Hemisfério Sul às 5h25 deste domingo, 21 de junho, e os primeiros dias da estação devem ser marcados pelo período mais frio de 2026 no Rio Grande do Sul. Uma intensa massa de ar polar avança sobre o Estado, provocando queda acentuada das temperaturas, com possibilidade de marcas negativas em municípios da Campanha e mínimas próximas dos recordes do ano em diversas cidades da Metade Sul.
Apesar do início rigoroso, os meteorologistas projetam um inverno menos severo ao longo dos próximos meses. A tendência é de uma gradual elevação das temperaturas durante a estação, especialmente entre agosto e setembro, quando os termômetros poderão registrar valores acima da média histórica.
A previsão é compartilhada pelo meteorologista da Secretaria da Agricultura, Pecuária, Produção Sustentável e Irrigação (Seapi) e coordenador do Sistema de Monitoramento e Alertas Agroclimáticos (Simagro-RS), Flávio Varone. Segundo ele, embora frentes frias devam atuar com frequência entre julho e setembro, as massas de ar polar serão mais rápidas e menos persistentes.
“Teremos poucos dias de temperaturas mais baixas. De forma geral, o inverno tende a apresentar temperaturas acima da média”, projeta.
Em relação às chuvas, os especialistas apontam um cenário mais estável do que o observado nos últimos anos. A tendência é de alternância entre períodos mais secos e mais úmidos, mantendo os volumes próximos da média climatológica. Varone destaca, porém, que as precipitações podem ficar acima da média em parte do Estado, especialmente nas regiões Central, Norte e Leste.
Mesmo assim, não há expectativa de eventos extremos capazes de provocar grandes cheias ou inundações durante o inverno. O cenário é considerado mais favorável para o controle dos níveis dos rios e reservatórios.
No campo, a combinação de umidade elevada e temperaturas mais altas pode exigir atenção dos produtores. Segundo Varone, culturas de inverno como trigo e cevada podem enfrentar maior incidência de doenças fúngicas ao longo do ciclo produtivo.
Outro fator monitorado pelos meteorologistas é a possível formação do fenômeno El Niño no segundo semestre. No entanto, a expectativa é que seus efeitos sejam limitados durante o inverno. Os impactos mais significativos devem ocorrer entre outubro e dezembro, período em que há tendência de aumento das chuvas e temperaturas mais elevadas.
A possibilidade de um evento de forte intensidade, já chamado por alguns especialistas de “Super El Niño”, segue sendo acompanhada. Caso se confirme, os reflexos poderão ser sentidos principalmente na primavera e no início do verão, com impactos sobre a agricultura e o regime de precipitações no Estado.
