Farsul reforça articulação regional para reverter taxação dos EUA sobre o tabaco

Olá Jornal
dezembro19/ 2025

A Federação da Agricultura do Estado do Rio Grande do Sul (Farsul) está se articulando com outras entidades representativas para buscar a suspensão do tarifaço imposto pelos Estados Unidos sobre o tabaco brasileiro. O tema também tem sido pautado pela Federação das Indústrias do Estado do Rio Grande do Sul (Fiergs), diante dos fortes impactos negativos sobre a cadeia produtiva gaúcha.

O presidente eleito da Farsul, Domingos Antonio Velho Lopes, que assume o comando da entidade em janeiro, afirma que a união de esforços é fundamental para reverter as tarifas extras aplicadas ao produto. Segundo ele, as discussões envolvem não apenas entidades do setor agropecuário, mas também representantes da indústria e dos produtores de tabaco.

Lopes: ” É uma cadeia produtiva extremamente importante para nós”

Em entrevista ao Olá Jornal, Lopes destacou a relevância do tabaco para a economia do Estado. “Cerca de 10% da produção de tabaco gaúcha é exportada para os Estados Unidos. É uma cadeia extremamente importante para nós”, afirmou. Ele ressaltou ainda que a cultura envolve um grande número de produtores rurais, especialmente da agricultura familiar, além de ser uma atividade que gera muitas divisas para o Rio Grande do Sul.

Lopes confirmou a articulação conjunta com a Fiergs. “Nós vamos estar aliados, sim. O presidente Cláudio Bier já tinha falado comigo. Vamos estar juntos nessa construção coletiva, inclusive com reuniões envolvendo entidades como a Afubra, para trabalhar a questão desse tarifaço profundo”, disse.

A Fiergs avalia que pode liderar uma mobilização regional, reunindo as federações industriais dos três estados do Sul, como forma de fortalecer a pressão por uma solução diplomática e comercial junto ao governo brasileiro e às autoridades norte-americanas. O presidente da entidade, Cláudio Bier, acredita que a atuação conjunta aumenta o peso político das demandas do setor industrial.

A estratégia já vem sendo adotada no setor de madeira, no qual as três federações atuam de forma integrada, inclusive com a contratação de um profissional dedicado exclusivamente ao tema. Segundo a Fiergs, o mesmo modelo pode ser replicado para o tabaco.

Os impactos do tarifaço já aparecem nos números da balança comercial. Com a taxação dos EUA, o Rio Grande do Sul exportou US$ 252 milhões a menos no último quadrimestre em comparação com o mesmo período do ano anterior. Apenas em novembro, a queda foi de 50,9%, enquanto setembro registrou o pior desempenho, com retração de 51,1%.

Entre agosto e novembro, o tabaco foi o segmento com maior variação negativa nas exportações, com queda de 67,5%. Na sequência aparecem produtos de metal (-56,8%), madeira (-49,8%), máquinas e equipamentos (-31,3%) e couro e calçados (-16,5%).

Caso as tarifas sejam mantidas, a projeção para as exportações da indústria de transformação gaúcha aos Estados Unidos em 2026 é de apenas US$ 1,1 bilhão, frente aos US$ 2 bilhões estimados em um cenário sem taxação, uma perda potencial de US$ 905,7 milhões.

Olá Jornal