Famílias produtoras de tabaco ficam menores na safra 2025/2026 e reforçam desafio da sucessão rural

Olá Jornal
agosto12/ 2026

As famílias dedicadas à fumicultura no Sul do Brasil estão menores. O Relatório da Safra 2025/2026, elaborado pela Associação dos Fumicultores do Brasil (Afubra), mostra que o tamanho médio das famílias nas propriedades produtoras de tabaco diminuiu em relação à safra anterior. O levantamento revela uma redução de quase 8 mil pessoas vivendo nas propriedades fumicultoras e reforça um dos principais desafios do meio rural: garantir a sucessão familiar e a permanência das novas gerações na atividade agrícola.

Na safra 2025/2026, o tamanho médio das famílias passou de 5,4 para 5,1 pessoas por propriedade. No total, o número de pessoas ligadas às famílias produtoras caiu de 532.800 para 524.943, uma redução de 7.857 integrantes em apenas um ano.

A principal diminuição ocorreu entre os adultos que trabalham diretamente na produção de tabaco. Esse grupo passou de 372.528 para 367.035 pessoas, queda de 5.493 trabalhadores, enquanto a média por propriedade recuou de 3,7 para 3,6 pessoas. Também houve redução entre os menores que não trabalham na atividade, de 106.882 para 105.306 pessoas, e entre os filhos independentes, que passaram de 53.390 para 52.602.

Embora o foco do levantamento esteja no encolhimento das famílias, a Afubra aponta que esse movimento acompanha uma leve redução no número de famílias produtoras. Após dois anos consecutivos de crescimento, o total de fumicultores caiu 1,47%, passando de 138.020 para 135.985 famílias. A redução contribui para explicar a diminuição do contingente de pessoas ligadas à atividade na safra atual.

Mais do que uma mudança estatística, os dados revelam uma transformação no perfil da fumicultura sul-brasileira. Famílias menores significam menor disponibilidade de mão de obra dentro das propriedades, realidade associada ao envelhecimento da população rural e à saída dos jovens do campo. Nesse contexto, a sucessão rural ganha ainda mais importância para a sustentabilidade da cadeia produtiva, que historicamente depende da participação da família em praticamente todas as etapas do cultivo do tabaco.

Apesar desse cenário, a fumicultura continua sendo uma das atividades agrícolas com maior participação da agricultura familiar no Sul do Brasil. Os números da Afubra, entretanto, indicam que manter os jovens nas propriedades e criar condições para a continuidade dos negócios familiares será cada vez mais determinante para o futuro da produção de tabaco na região.

FOTO: IA

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