Exportações de tabaco recuam no primeiro bimestre de 2026, mas seguem acima da média histórica

Olá Jornal
março31/ 2026

As exportações brasileiras de tabaco e seus subprodutos manufaturados registraram queda expressiva no primeiro bimestre de 2026, somando US$ 373,5 milhões e 63,6 mil toneladas. O resultado representa uma retração de 36,7% em valor e 19,1% em volume em relação ao mesmo período de 2025, quando o setor havia alcançado um recorde histórico. A desaceleração interrompe o ciclo recente de forte expansão e recoloca o desempenho do setor em níveis mais próximos da média observada nos últimos anos.

A comparação com 2025 evidencia o tamanho da retração. No primeiro bimestre do ano passado, as exportações haviam atingido US$ 590,4 milhões, o maior valor de toda a série histórica iniciada em 1997. O resultado de 2026, embora ainda elevado em termos históricos, representa uma correção significativa após um período de desempenho excepcional.

A análise da série histórica mostra que o setor evoluiu de forma consistente ao longo das últimas décadas, ainda que marcado por oscilações. No final dos anos 1990, os embarques no primeiro bimestre variavam entre cerca de US$ 60 milhões e US$ 200 milhões. Ao longo dos anos 2000, houve um avanço gradual, com valores geralmente situados entre US$ 100 milhões e US$ 250 milhões, refletindo a expansão da presença brasileira no mercado internacional.

A partir da década de 2010, o setor passou a operar em um patamar mais elevado, ainda que com maior volatilidade. Houve anos de retração, como 2017, quando as exportações somaram US$ 175,4 milhões, intercalados com períodos de recuperação e crescimento. Esse comportamento reforça a característica cíclica do comércio externo de tabaco.

O salto mais consistente ocorre a partir de 2020, quando as exportações passam a superar com mais frequência a marca de US$ 300 milhões no primeiro bimestre. Entre 2022 e 2025, esse novo patamar se consolida, culminando no recorde registrado em 2025. Nesse contexto, o resultado de 2026 indica uma inflexão importante no curto prazo, embora ainda mantenha o setor em nível historicamente elevado.

VALORIZAÇÃO
Outro aspecto relevante da série é o comportamento distinto entre valor e volume. Ao longo do tempo, o crescimento em valor tem sido mais acentuado do que em volume, sugerindo influência de preços internacionais e de maior valor agregado nas exportações. Em 2026, a queda mais intensa em valor do que em volume reforça esse padrão.

Apesar da retração no início do ano, o histórico do setor indica que movimentos de queda após períodos de alta não são incomuns. O desempenho ao longo dos próximos meses será decisivo para indicar se o recuo observado representa apenas um ajuste pontual após o pico de 2025 ou o início de um novo ciclo de acomodação nas exportações brasileiras de tabaco.

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