Exportações de tabaco somam US$ 25 bilhões em dez anos e marcam a década de ouro do setor

Olá Jornal
março19/ 2026

A década entre 2015 e 2025 consolidou o período mais valioso da história das exportações brasileiras de tabaco. Segundo dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex), o país embarcou 5,56 milhões de toneladas e faturou US$ 25,18 bilhões no período, culminando em 2025 com o maior valor anual já registrado. Os números reforçam o papel estratégico da cadeia produtiva do tabaco para a economia brasileira, especialmente na região Sul, onde a atividade sustenta milhares de famílias e representa uma das principais fontes de arrecadação para centenas de municípios.

Desde o início da série histórica disponibilizada pela Secretaria de Comércio Exterior, em 1997, as exportações brasileiras de tabaco somam mais de US$ 57 bilhões em receita e ultrapassam 15 milhões de toneladas embarcadas ao mercado internacional. Ao longo de quase três décadas, o país consolidou-se como o principal fornecedor global do produto, mantendo presença constante em dezenas de mercados e ampliando gradualmente o valor agregado das vendas externas.

O desempenho da última década culminou em um recorde de faturamento em 2025, impulsionado pela forte valorização do tabaco no mercado internacional. Enquanto em 2021 o quilo do produto era comercializado a cerca de US$ 3,15, em 2025 o valor superou a marca de US$ 6,00. A alta permitiu ao Brasil ampliar significativamente a receita com exportações mesmo com volumes de embarque relativamente estáveis.

Além da geração de divisas, o setor se destaca como um dos maiores motores fiscais do agronegócio brasileiro. A cadeia produtiva do tabaco gera retorno tributário bilionário, abastecendo cofres públicos por meio de impostos federais e estaduais. Esse fluxo financeiro é fundamental para a manutenção de serviços públicos em regiões produtoras e reforça a relevância econômica da atividade para o equilíbrio das contas públicas.

A análise geográfica da década também revela uma mudança no mapa do comércio internacional do tabaco brasileiro, marcada por uma forte expansão em direção ao Oriente e a hubs logísticos estratégicos. A Bélgica consolidou-se na liderança entre os destinos, ampliando suas compras em US$ 336,5 milhões desde 2015 e atuando como principal porta de entrada do produto brasileiro para o mercado europeu.

Na sequência aparece a China, que reforçou sua posição como segundo maior destino ao ampliar suas importações em US$ 312,5 milhões no período. O crescimento evidencia o peso do mercado asiático para a expansão da cadeia produtiva brasileira, impulsionado pela demanda por tabacos de alta qualidade.
Outro destaque foi a Indonésia, que praticamente triplicou suas compras e acrescentou US$ 194,6 milhões ao faturamento anual brasileiro. Emirados Árabes Unidos e Vietnã também avançaram no ranking de compradores, com incrementos superiores a US$ 100 milhões cada, consolidando-se como parceiros comerciais de primeira linha.

Esses movimentos demonstram a capacidade do Brasil de diversificar sua carteira de clientes ao longo da década, compensando retrações em mercados tradicionais e ampliando sua presença em economias emergentes.

Entre os crescimentos relativos mais expressivos, a Colômbia despontou como o grande fenômeno do período, multiplicando seu valor de compra em 1.365% desde 2015. Outra surpresa foi o surgimento do Iraque como novo comprador relevante: o país, que não importava tabaco brasileiro no início da série histórica, encerrou 2025 com aquisições de US$ 24,6 milhões. Montenegro e Líbia também passaram a figurar no radar exportador brasileiro.

A década, no entanto, também registrou perdas significativas em destinos tradicionais, influenciadas por mudanças geopolíticas e comerciais. A Rússia apresentou a maior retração absoluta, com queda de US$ 56 milhões nas compras, seguida pela Alemanha e pelos Países Baixos.

O conjunto dessas mudanças redesenhou o mapa global das exportações brasileiras de tabaco. Cada vez mais, o produto segue em direção ao Leste Europeu, ao Oriente Médio e à Ásia, consolidando o Brasil como fornecedor estratégico para mercados em expansão e reforçando sua posição como protagonista mundial na cadeia produtiva do tabaco.

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