As exportações brasileiras de tabaco e seus sucedâneos manufaturados para os Estados Unidos registraram forte retração entre janeiro e maio de 2026, em um cenário marcado por incertezas comerciais e pela manutenção de elevadas tarifas sobre produtos brasileiros. Dados da Secretaria Federal de Comércio Exterior mostram que as vendas brasileiras ao mercado norte-americano somaram US$ 67,1 milhões no período, contra US$ 107,4 milhões registrados nos cinco primeiros meses de 2025. O resultado representa uma queda de 37,6% no valor exportado.
Em volume, os embarques também apresentaram redução. Entre janeiro e maio de 2026, foram exportadas 12,07 mil toneladas de tabaco para os Estados Unidos, frente às 15,27 mil toneladas registradas no mesmo período do ano anterior. A retração foi de 20,9%.
O desempenho ocorre em meio aos efeitos das políticas comerciais adotadas pelo governo dos Estados Unidos. Apesar da suspensão de algumas medidas tarifárias aplicadas a determinados setores durante as negociações comerciais entre os dois países, o tabaco brasileiro permaneceu entre os produtos mais afetados.
As exportações de tabaco brasileiro para os Estados Unidos continuam enfrentando pesadas sobretaxas. O governo norte-americano manteve a tarifa adicional de 50% sobre o produto, que, somada aos aumentos anteriores impostos pelo presidente Donald Trump.
Os Estados Unidos figuram entre os principais destinos do tabaco brasileiro, especialmente da produção concentrada na Região Sul do país. Com a permanência das barreiras tarifárias, empresas exportadoras vêm buscando ampliar sua presença em outros mercados para compensar a redução dos embarques destinados aos compradores norte-americanos.
RIO GRANDE DO SUL
O mercado gaúcho atingiu em abril o maior patamar de exportações para os Estados Unidos desde a queda das sobretaxas impostas a produtos brasileiros, anunciada no final de fevereiro deste ano.
De acordo com o Boletim Econômico-Tributário do Comércio Exterior, publicado pelo governo do Estado, por meio da Receita Estadual, a participação dos norte-americanos nas vendas do Rio Grande do Sul saltou para 9%, uma forte recuperação diante de um patamar que chegou a ser de 3,7% em setembro do ano passado, logo após o anúncio das tarifas extras.
Entre os produtos exportados, destaque para o avanço nas vendas de carnes de suínos (alta de 29%), carnes de frango (13,6%), cereais e grãos (8%) e tabaco (3,1%).
