As duas últimas semanas de tempo chuvoso, céu encoberto, ventos e elevada umidade já provocam reflexos na produção agrícola de Venâncio Aires. Apesar dos prejuízos registrados em diferentes culturas, a avaliação preliminar da Emater/Ascar aponta que os impactos são pontuais e não configuram situação que justifique decreto de emergência no município.
Na manhã desta segunda-feira, 27, o chefe do escritório local da Emater/Ascar e engenheiro agrônomo Vicente Fin realizou vistorias, com prioridade para a região de Vila Mariante, onde ocorreu elevação do nível do Rio Taquari e há necessidade de levantamento técnico para elaboração de um laudo. Segundo ele, os danos mais significativos concentram-se nas áreas atingidas pela cheia, embora sejam considerados limitados.
De forma geral, a sequência de dias com pouca incidência de sol tem provocado diferentes efeitos sobre as lavouras. Conforme Fin, a umidade excessiva prejudica o desenvolvimento de diversas culturas, principalmente aquelas que dependem de luminosidade. O morango, por exemplo, sofre com o sombreamento, enquanto hortaliças apresentam crescimento excessivo e mais sensível. Além disso, doenças fúngicas, como a esclerotinia, têm provocado perdas em culturas como brócolis e outras hortaliças.
Nas lavouras de inverno, a falta de sol também preocupa. O desenvolvimento da canola e do trigo vem sendo prejudicado pelas condições climáticas, enquanto o tabaco apresenta excesso de umidade em áreas mais baixas, formando reboleiras com desenvolvimento comprometido.
Outro efeito observado ocorre nas áreas de pecuária. O excesso de barro nas pastagens provoca intenso pisoteio dos animais, reduzindo a qualidade do pasto. Nas propriedades localizadas às margens do Rio Taquari, do Rio Mariante e de afluentes, a inundação interrompeu temporariamente o acesso do gado a algumas áreas de alimentação, situação que pode resultar em pequena perda de peso dos animais após alguns dias.
As chuvas também favorecem processos de erosão em propriedades onde o solo não conta com práticas adequadas de conservação, como o plantio em nível. Nesses casos, há perda de terra fértil e redução do potencial produtivo das áreas.
Entre as culturas mais afetadas estão as frutas cítricas. Com a maturação dos frutos coincidindo com o período de elevada umidade, cresce a ocorrência de apodrecimento e queda precoce. Segundo Vicente Fin, uma fruta deteriorada acaba acelerando o apodrecimento das demais, ampliando as perdas nos pomares.
ENCHENTE
O laudo técnico elaborado pela Emater estima prejuízos de R$ 304.977,00 em decorrência da enchente ocorrida entre os dias 22 e 23 de julho de 2026, na região de Vila Mariante. Os dados levam em consideração a área do rio Taquari, e arroios próximos. As maiores perdas financeiras foram registradas nas culturas de milho grão (R$ 59.899,50), tabaco (R$ 57.665,00), milho verde (R$ 51 mil) e na atividade de gado de corte (R$ 46.718,75).
O levantamento também contabiliza danos em trigo, silagem, hortaliças, piscicultura, reflorestamento e pastagens, evidenciando os impactos da cheia sobre a produção agropecuária da localidade.
