Entidades e produtores de tabaco pedem apoio da Câmara de Vereadores diante de dificuldades na comercialização safra

Olá Jornal
março18/ 2026

Representantes de entidades sindicais e produtores de tabaco participaram de uma sessão da Câmara de Vereadores de Venâncio Aires para expor preocupações sobre a atual situação da comercialização da safra. O principal pedido foi o apoio dos parlamentares na interlocução com as empresas fumageiras, diante de problemas na classificação do produto e possíveis prejuízos aos agricultores.

O presidente do Sindicato Rural de Venâncio Aires, Ornélio Sausen, destacou que a mobilização reúne diferentes entidades em defesa dos fumicultores. Segundo ele, a principal preocupação está na desclassificação do tabaco no momento da venda.

“Os dois sindicatos se uniram para vir falar para os vereadores a nossa preocupação na classificação da fumicultura”, afirmou. Sausen relatou ainda que a situação não é isolada. “Recebi informações de Santa Catarina de que o cenário é o mesmo. O pessoal está tirando o fumo da correia e levando embora, e a preocupação é a desclassificação”, disse.

O dirigente reforçou o pedido de apoio aos vereadores para que intervenham junto às indústrias. “Vocês têm mais força que nós. Juntos, podemos ter algum resultado”, pontuou, ressaltando os altos custos de produção e o risco de prejuízos aos agricultores.

Já o presidente do Sindicato dos Trabalhadores Rurais (STR), Luciano Aloisio Walker, foi mais enfático ao criticar a postura das empresas. Ele afirmou que há descumprimento de acordos previamente estabelecidos entre entidades e indústrias. “As empresas estão tratando com descaso. Os custos de produção são levantados, discutidos e acordados, mas depois não são respeitados”, declarou.
Walker também criticou o uso da classificação do tabaco. “Ela não está sendo utilizada como norma de compra, mas como forma de aumentar o lucro das empresas”, disse.

ENDIVIDAMENTO
Outro ponto levantado foi o endividamento dos agricultores, agravado por anos consecutivos de problemas climáticos. “O agricultor está endividado não porque quer, mas por conta das dificuldades enfrentadas nos últimos anos”, afirmou.

Walker também alertou para o impacto econômico no município. Segundo ele, a redução no valor pago pelo tabaco pode retirar milhões de reais da economia local. “Isso afeta o comércio, os serviços e toda a arrecadação do município”, destacou.

Ao final, as entidades solicitaram que a Câmara de Vereadores elabore uma moção de apoio e pressione as empresas por mais transparência e respeito aos acordos firmados, buscando garantir melhores condições aos produtores de tabaco da região.

FRENTE PARLAMENTAR
Está em tramitação na Câmara um projeto de resolução que cria a Comissão Especial denominada “Frente Parlamentar em Defesa dos Produtores de Tabaco” para o ano de 2026. A iniciativa é proposta pelo vereador Diego Wolschick (PP), e tem o objetivo de fomentar ações, promover debates e audiências públicas, além de apoiar discussões voltadas à valorização do preço do tabaco e à defesa da cadeia produtiva, bem como acompanhar a efetivação e os resultados do cumprimento da lei de classificação do tabaco na propriedade.

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