Entidades discutem entraves na venda do tabaco enquanto produtores organizam mobilização

Olá Jornal
maio20/ 2026

A comercialização da safra 2025/2026 de tabaco segue em ritmo mais lento do que o registrado nos últimos anos, cenário que tem mobilizado entidades representativas do setor e ampliado a insatisfação entre produtores. Enquanto lideranças da cadeia produtiva discutem alternativas para enfrentar os entraves nas negociações, agricultores organizam uma mobilização para a próxima semana em Santa Cruz do Sul.

Na manhã desta segunda-feira, 18, a sede da Associação dos Fumicultores do Brasil (Afubra), em Santa Cruz do Sul, recebeu uma reunião extraordinária do Fórum Nacional da Integração (Foniagro). O encontro reuniu a Comissão Representativa dos Fumicultores, representantes do Sindicato Interestadual da Indústria do Tabaco (SindiTabaco) e empresas fumageiras para debater as dificuldades enfrentadas na comercialização da atual safra.

Segundo o presidente da Afubra, Marcilio Drescher, a entidade decidiu convocar a reunião após ouvir relatos de produtores sobre problemas no momento da venda do produto. “A representação dos produtores chamou o Foniagro para deixá-lo a par da situação e relatar como os fatos estão acontecendo no campo. As dificuldades foram expostas e, agora, cabe ao setor tomar as providências”, afirmou.

De acordo com a Afubra, a expectativa é de que, nos próximos dias, medidas possam ser adotadas para trazer mais transparência, equilíbrio e segurança ao processo de comercialização.

MOBILIZAÇÃO
Paralelamente às discussões institucionais, cresce a mobilização entre os produtores. A Federação dos Trabalhadores na Agricultura no Rio Grande do Sul (FETAG-RS) convocou um ato em defesa da cadeia produtiva do tabaco e pela valorização dos fumicultores.

A mobilização está marcada para a próxima segunda-feira, 25, com concentração a partir das 9h30min, em frente ao Parque da Oktoberfest, em Santa Cruz do Sul. Segundo a entidade, o movimento reivindica maior estabilidade para o setor, preços considerados justos aos produtores e o enfrentamento das assimetrias existentes no Sistema Integrado de Produção de Tabaco (SIPT). A expectativa é de forte participação de agricultores de Venâncio Aires, Vale do Sol e de outros municípios do Vale do Rio Pardo.

CENÁRIO
Em posicionamento recente, o SindiTabaco atribuiu parte das dificuldades ao cenário internacional mais competitivo e à desaceleração das exportações brasileiras. Dados preliminares apontam que, entre janeiro e abril de 2026, o Brasil exportou 117,1 mil toneladas de tabaco, uma queda de 12,23% em relação ao mesmo período do ano passado. Em receita, a retração chegou a 22,8%, com pouco mais de US$ 700 milhões movimentados.

Segundo a entidade, após um período de forte demanda e valorização do produto, países concorrentes ampliaram significativamente a produção, tornando o mercado mais disputado.
Entre 2022 e 2026, conforme o sindicato, a produção mundial de tabaco Burley aumentou mais de 250 mil toneladas, enquanto a de Virgínia cresceu mais de 628 mil toneladas, volume equivalente a aproximadamente uma safra brasileira.

O sindicato também destaca a elevação dos custos internos de produção, especialmente da mão de obra familiar considerada na metodologia utilizada nas negociações. De acordo com o SindiTabaco, esse componente acumulou alta de 136,29% entre 2020 e 2026, índice superior à inflação do período.

Apesar disso, a entidade afirma que os preços médios pagos ao tabaco registraram valorização superior a 109% entre 2016 e 2025.

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