A influência do El Niño sobre o clima do Rio Grande do Sul coloca a produtividade da nova safra de tabaco entre os pontos de atenção para produtores da região. O fenômeno pode provocar alterações no regime de chuvas e temperaturas e, consequentemente, afetar o desenvolvimento das lavouras. A recomendação é que os agricultores estejam atentos às condições climáticas e reforcem os cuidados durante o ciclo produtivo.
O presidente da Associação dos Fumicultores do Brasil (Afubra), Marcílio Drescher, destaca que as orientações técnicas específicas para o manejo das lavouras são repassadas pelas empresas integradoras, que acompanham diretamente os produtores. Segundo ele, há situações provocadas pelo clima que são difíceis de serem contornadas, mas a adoção das melhores práticas pode contribuir para reduzir os impactos.
“Muitas vezes têm algumas coisas que são praticamente inviáveis de serem superadas na questão climatológica, mas a Afubra sempre alerta”, afirma Drescher.
Além da preocupação com o clima, o setor acompanha o comportamento da produção e do mercado internacional. Para o presidente da Afubra, a produção brasileira de tabaco nos três estados do Sul tem ficado acima de um nível considerado adequado para o equilíbrio entre oferta e demanda.
Na avaliação da entidade, seria necessário reduzir entre 10% e 15% a produção brasileira para melhorar o equilíbrio do mercado e contribuir para uma recuperação dos preços pagos ao produtor. “Nós deveríamos reduzir a nossa produção brasileira para ter um equilíbrio melhor no preço da tabela”, destaca Drescher.
O cenário internacional também acrescenta incertezas para a cadeia produtiva. O crescimento da produção em países da África e da Ásia pode aumentar a concorrência com o tabaco brasileiro. Drescher explica que os produtores têm pouco acesso a informações antecipadas sobre o comportamento dessas lavouras, dificultando a tomada de decisões sobre a produção.
Segundo ele, em alguns países, principalmente africanos, a produção de tabaco recebe estímulo dos próprios governos como alternativa de renda para pequenos produtores familiares.
IMPACTOS
O presidente da Federação da Agricultura do Estado do Rio Grande do Sul (Farsul), Domingos Velho Lopes, também avalia que o El Niño tende a provocar redução de produtividade nas culturas de verão. Apesar disso, ele aponta que o desenvolvimento genético das plantas e os avanços tecnológicos podem oferecer maior segurança ao produtor gaúcho.
De acordo com Lopes, os anos de El Niño historicamente resultam em uma oferta nacional menor. Para o Rio Grande do Sul, porém, a adoção de cuidados e a escolha de áreas de menor risco podem contribuir para resultados relativamente melhores.
“O El Niño, em geral, reduz a produção, mas nós temos um resultado melhor porque nós temos a segurança de ter, durante a presença da água, o desenvolvimento genético das plantas tendo boas produtividades”, afirma.
Para o dirigente, os resultados não necessariamente atingem os maiores níveis de produtividade, mas podem manter uma produção capaz de garantir rentabilidade ao produtor.
O comportamento do clima ao longo dos próximos meses, portanto, será determinante para definir o potencial produtivo da nova safra de tabaco. Para os produtores, o desafio será conciliar os cuidados no campo diante das condições climáticas com um mercado que já apresenta sinais de necessidade de ajuste na oferta.
FOTO: Divulgação/Emater
