A diversificação das atividades agropecuárias segue avançando nas propriedades fumicultoras do Sul do Brasil, mas sem reduzir o protagonismo econômico do tabaco. O novo Relatório de Atividades 2025/2026, divulgado pela Associação dos Fumicultores do Brasil (Afubra), aponta que a cultura permanece como a principal fonte de receita das famílias produtoras, ao mesmo tempo em que cresce a participação das demais atividades vegetais e da produção animal na composição da renda das propriedades.
Nesta safra, o tabaco representa 55,8% da receita agropecuária em mais de 135 mil propriedades no Sul do Brasil, movimentando R$ 13,06 bilhões de um total de R$ 23,41 bilhões gerados pelas atividades rurais. Embora siga na liderança, sua participação apresentou redução em relação à safra 2024/2025, quando correspondia a 58,3% da receita das propriedades, equivalente a R$ 14,18 bilhões de um faturamento total de R$ 24,32 bilhões. A retração de 2,5 pontos percentuais demonstra que outras atividades passaram a contribuir mais para a renda das famílias, sem alterar a posição do tabaco como principal atividade econômica.
A produção vegetal, formada por culturas como soja, milho, mandioca, feijão, frutas e hortaliças, ampliou sua participação de 22,7% para 23,8% entre uma safra e outra. Em valores, passou de R$ 5,51 bilhões para R$ 5,56 bilhões.
A produção animal também registrou crescimento, elevando sua participação de 19,1% para 20,4% da receita agropecuária. O faturamento da atividade passou de R$ 4,63 bilhões para R$ 4,78 bilhões, confirmando que a pecuária vem ampliando sua contribuição para a economia das propriedades fumicultoras.
DIVERSIFICAÇÃO
Mesmo com esse avanço da diversificação, a fumicultura continua sendo a atividade de maior retorno econômico dentro das propriedades. Em uma unidade produtiva média de 14,71 hectares, o tabaco ocupa apenas 2,99 hectares, o equivalente a 20,3% da área cultivada, mas gera R$ 126,5 mil, ou 55,8% do rendimento bruto da propriedade. Em comparação, culturas como soja, milho, mandioca e demais lavouras ocupam áreas maiores ou semelhantes, porém com menor participação na receita, evidenciando a elevada capacidade de agregação de valor da cultura.
A diversificação também aparece na organização das propriedades. Além do tabaco, os produtores cultivam grãos, hortaliças, frutas, mantêm áreas de reflorestamento, preservação ambiental, açudes e criação de animais. Esse modelo permite distribuir riscos, ampliar as fontes de receita e fortalecer a sustentabilidade econômica da agricultura familiar.
AGRICULTURA FAMILIAR
O levantamento da Afubra também confirma o perfil fundiário da fumicultura no Sul do Brasil. A produção de tabaco permanece fortemente concentrada em pequenas propriedades rurais, reforçando o caráter familiar da atividade. Ao todo, o diagnóstico identifica 135.985 famílias produtoras distribuídas entre os três estados da região Sul.
As pequenas propriedades predominam amplamente. O maior grupo é formado por 54.692 famílias (40,2%) que possuem áreas entre 1 e 10 hectares. Em seguida aparecem 32.745 famílias (24,1%) enquadradas na faixa de até 10 hectares, categoria utilizada pela Afubra para propriedades sem área própria ou em situações específicas de posse e uso da terra, e 31.775 famílias (23,4%) com áreas entre 11 e 20 hectares.
Na sequência estão 11.028 famílias (8,1%) que possuem propriedades entre 21 e 30 hectares, outras 4.750 famílias (3,5%) com áreas entre 31 e 50 hectares, enquanto apenas 995 famílias, o equivalente a 0,7% do total, cultivam tabaco em propriedades com mais de 50 hectares.
Os números mostram que mais de 87% das famílias fumicultoras estão estabelecidas em propriedades de até 20 hectares, característica que reforça a importância da agricultura familiar para a cadeia produtiva do tabaco. Nesse contexto, a combinação entre fumicultura, produção de alimentos, pecuária e outras atividades agrícolas explica a estratégia de diversificação adotada pelos produtores, que encontram no tabaco a principal fonte de renda para manter e investir nas demais atividades desenvolvidas ao longo do ano.
