Diagnóstico inicial aponta desafios na recuperação do solo em Venâncio Aires

Olá Jornal
abril15/ 2026

As primeiras avaliações do programa Terra Forte, desenvolvido pelo Governo do Estado com execução da Emater/RS-Ascar, já começam a revelar um panorama detalhado das condições das áreas atingidas pelas enchentes de 2024 em Venâncio Aires. No município, cerca de 150 produtores rurais foram contemplados com a iniciativa, que tem como foco principal a recuperação e conservação do solo.

O tema ganha ainda mais relevância nesta quarta-feira, 15 de abril, quando é celebrado o Dia de Conservação do Solo, reforçando a importância de práticas sustentáveis para garantir produtividade e segurança alimentar.

De acordo com o engenheiro agrônomo e chefe do escritório local da Emater, Vicente Fin, a primeira etapa do programa, que inclui diagnósticos e coleta de amostras, já foi concluída no município. As análises contemplaram propriedades distribuídas em diferentes localidades, abrangendo diversas culturas, como tabaco, grãos (soja, milho e arroz), além de fruticultura, olericultura, pastagens e reflorestamento.

Entre os principais problemas identificados, destaca-se a baixa presença de matéria orgânica no solo, considerada um dos fatores mais críticos para a recuperação produtiva das áreas. Segundo Fin, mesmo em lavouras com boa fertilidade, como as de tabaco, há deficiência significativa desse componente essencial.

“Boas produtividades não dependem só de fertilidade. Um dos principais fatores é a matéria orgânica, que precisa estar entre 2,5% e 5% para garantir bons resultados”, explicou.

Outro ponto de atenção é a ocorrência de erosão, especialmente em áreas de grãos, onde foi observada a ausência de práticas adequadas de manejo, como o plantio em nível e a construção de curvas de nível. Essas falhas contribuem para a perda de nutrientes e degradação do solo.

As análises também apontaram problemas relacionados ao manejo inadequado, como formação incorreta de camalhões no cultivo de tabaco, pastagens degradadas e necessidade de maior rotação de culturas.

Diante desse cenário, o programa Terra Forte propõe uma série de ações corretivas, como a aplicação de calcário, correção de fósforo, uso de adubação orgânica e incentivo à rotação de culturas e plantas de cobertura. As recomendações são feitas com base em análises detalhadas do solo em diferentes profundidades, garantindo maior precisão nas intervenções.

Além das medidas técnicas, Fin destaca que a conservação do solo deve ser entendida como um conjunto de práticas contínuas, que incluem manter o solo sempre coberto, evitar o revolvimento excessivo e adotar sistemas que favoreçam a infiltração de água e o desenvolvimento de micro-organismos.
“Um centímetro de solo pode levar centenas de anos para se formar, mas pode ser perdido rapidamente em uma chuva intensa se não houver manejo adequado”, alertou.

A expectativa é que, após a conclusão dessa fase inicial, as ações práticas de recuperação avancem nas propriedades, respeitando um cronograma que sofreu atrasos devido a fatores climáticos e operacionais. A próxima etapa deve garantir o repasse de recursos para a compra de insumos, e aplicação nas áreas produtivas dos produtores selecionados. Esta etapa deve ocorrer ainda no primeiro semestre.

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