Lideranças políticas, representantes de entidades e autoridades ligadas à cadeia produtiva do tabaco embarcam nesta semana para Genebra, na Suíça, onde ocorre, a partir do dia 17 até o dia 22 de novembro, a 11ª Conferência das Partes da Convenção-Quadro para o Controle do Tabaco (COP11). A comitiva, formada por mais de 30 integrantes, terá como principal missão acompanhar as discussões do tratado internacional e evitar que novas medidas prejudiquem a produção e os agricultores brasileiros.
O Brasil é signatário da Convenção desde 2005 e, apesar de ser o maior exportador mundial de tabaco há mais de três décadas, o setor teme que propostas apresentadas na COP11 ampliem restrições e tragam impactos econômicos e sociais aos mais de 500 municípios produtores do país.
O presidente da Afubra, Marcílio Drescher, destaca que o setor estará representado novamente, ainda que de fora das plenárias oficiais. “Nós estaremos lá presentes, mais uma vez, com outras entidades e autoridades políticas do Rio Grande do Sul e também em nível federal. Mesmo do lado de fora, como sempre foi, estaremos atentos a tudo que for apresentado, já que o governo brasileiro, através da Conicq, não divulga claramente suas iniciativas. Nosso papel é evitar ações que prejudiquem ainda mais o produtor”, afirma.
O presidente do SindiTabaco, Valmor Thesing, reforça que o grupo vai com o propósito de acompanhar de perto as decisões e sensibilizar o governo para defender o setor. “Nós sabemos que o Brasil, por um lado, é o maior exportador de tabaco e, por outro, acaba levando sugestões à COP que afetam diretamente a cadeia produtiva. Mas estamos muito bem mobilizados este ano, com 39 representantes confirmados, entre entidades, parlamentares e imprensa. A expectativa é que o governo seja protagonista na defesa, sem deixar de olhar para a questão da saúde”, ressalta.
Já o secretário estadual de Agricultura, Pecuária, Produção Sustentável e Irrigação, Edivilson Brum (MDB), que representará o governo do Rio Grande do Sul na conferência, destaca o impacto econômico da cultura e a necessidade de defender o setor produtivo. “O tabaco é uma atividade agrícola regular, regulamentada e legal. Enquanto for assim e tiver o peso econômico que tem para os três estados do Sul, não podemos cruzar os braços. O agro representa 40% do PIB e o tabaco é parte importante disso. Não é acabando com o produtor que se acaba com o tabagismo”, declara.
O presidente da Amprotabaco e prefeito de Vera Cruz, Gilson Becker, enfatiza a importância de o governo brasileiro reconhecer o papel social e econômico do setor. “Durante o ano tivemos reuniões com representantes do governo e da Conicq para demonstrar a importância da cadeia produtiva, que gera renda para milhares de famílias e movimenta mais de 500 municípios. Nossa maior preocupação é com o posicionamento do próprio governo brasileiro, que precisa entender que o setor é essencial e tem atuado com responsabilidade”, destaca.
Becker ainda alerta para os impactos que eventuais restrições poderiam trazer aos municípios produtores. “O tabaco garante estabilidade econômica e mantém renda constante para as famílias. Caso ocorram prejuízos à atividade, as dificuldades serão grandes para todos os municípios produtores”, completa.
FOTO: Janine Niedermeyer
