A 49ª Expointer entra, nesta quinta-feira, 03, em seus últimos dias de programação no Parque Estadual de Exposições Assis Brasil, em Esteio. Iniciada no sábado, 29 de agosto, a maior feira agropecuária do Rio Grande do Sul segue até domingo, 06 de setembro, reunindo representantes de diferentes segmentos do campo e da cidade. A edição também já ganha um significado especial ao anteceder a celebração dos 50 anos de programação da Expointer.
Para o presidente da Federação da Agricultura do Estado do Rio Grande do Sul (Farsul), Domingos Antônio Velho Lopes, a feira representa a combinação entre a tradição do produtor rural gaúcho e as transformações provocadas pela tecnologia. Entre os temas que ganham espaço nesta edição está a inteligência artificial, apontada por ele como uma ferramenta capaz de transformar relações comerciais, processos de informação, inovação e até mesmo a relação entre diferentes gerações.
“É a tradição do que é ser produtor rural no Estado do Rio Grande do Sul, mas aliado à potência máxima que é a inteligência artificial, que está revolucionando todas as relações de comércio, de informação, de inovação e relação entre gerações”, destaca.
A programação mantém ainda alguns dos elementos que historicamente ajudam a formar a identidade da Expointer. Animais, genética, agricultura familiar e agroindústrias estão entre os destaques, ao lado de máquinas, tecnologias e negócios. Para Domingos, a feira também representa um encontro entre campo e cidade, aproximando o público urbano da realidade e da capacidade produtiva do setor.
AGRO EM EVIDÊNCIA
Além dos negócios e das atrações, a edição de 2026 ocorre em um ano de forte movimentação política. A expectativa da Farsul é de presença de candidatos e lideranças de diferentes correntes e cargos, transformando o parque também em espaço de debates sobre os rumos do setor agropecuário.
“Com certeza a política vai ser efervescente, estarão em algum dia da feira todos os políticos candidatos da majoritária e nas proporcionais”, afirma o presidente da Farsul. Segundo ele, a presença de representantes políticos também reforça a necessidade de apresentar a força econômica e social do agronegócio.
Domingos avalia que o setor passou por um processo de maior concentração de posicionamento político e, por isso, a Expointer se torna um ambiente estratégico para o diálogo entre produtores, entidades e representantes públicos. “Precisamos mostrar a força do agro”, resume.
ENDIVIDAMENTO
Entre os assuntos considerados prioritários pelo setor está o endividamento dos produtores rurais. Para a Farsul, o problema atinge tanto a agricultura familiar quanto a produção empresarial e ganhou proporções maiores diante da sequência de eventos climáticos e das mudanças no cenário internacional.
Domingos relaciona o cenário às perdas provocadas pelos eventos climáticos, especialmente a enchente de 2024, e ao aumento dos custos provocado pelo cenário geopolítico internacional. Segundo ele, o setor precisa de condições para recuperar o acesso ao crédito e retomar sua capacidade de investimento. “Temos que resolver definitivamente a questão do endividamento do setor agrário gaúcho e brasileiro”, defende.
Na avaliação do dirigente, a discussão ganha ainda mais importância diante do peso do agronegócio para a economia brasileira. A recuperação financeira dos produtores, segundo ele, é fundamental para garantir a continuidade da produção e a capacidade de investimento de milhões de agricultores.
RUMO AOS 50 ANOS
Ao entrar em sua reta final, a 49ª Expointer também começa a preparar o ambiente para uma marca histórica: os 50 anos de programação da feira. A trajetória construída ao longo de décadas consolidou o evento como um dos principais pontos de encontro do setor agropecuário brasileiro, reunindo produção, tecnologia, genética, inovação, negócios e representação institucional.
Para esta edição, a expectativa é de que os próximos dias mantenham o movimento intenso no parque, com programação voltada tanto aos profissionais do setor quanto ao público em geral. Até domingo, a Expointer segue como vitrine da produção gaúcha e espaço para discutir os desafios que acompanham o campo em um período de transformações econômicas, climáticas, tecnológicas e políticas.
