Colheita do tabaco é aberta oficialmente no Rio Grande do Sul

Olá Jornal
novembro06/ 2026

A abertura oficial da colheita do tabaco da safra 2026/2027 foi realizada na tarde desta sexta-feira, 6 de novembro, em Vila Progresso, no município de Vera Cruz. A solenidade ocorreu na propriedade de Alceu e Eliane Tornquist, produtores rurais há quase 30 anos, e reuniu autoridades estaduais, lideranças do setor, representantes de entidades e agricultores. O evento foi promovido pelo Governo do Estado do Rio Grande do Sul, com organização da Secretaria da Agricultura, Pecuária, Produção Sustentável e Irrigação (Seapi), da Secretaria de Desenvolvimento Rural (SDR), do Sindicato Interestadual da Indústria do Tabaco (SindiTabaco), da Associação dos Fumicultores do Brasil (Afubra) e da Prefeitura de Vera Cruz.

Durante a solenidade, o secretário estadual da Agricultura, Pecuária, Produção Sustentável e Irrigação, Márcio Madalena, destacou os desafios enfrentados pelos produtores, especialmente diante das adversidades climáticas, das dificuldades de acesso ao crédito, do seguro rural e do endividamento. O secretário também defendeu o reconhecimento da importância econômica e social da cadeia produtiva do tabaco.

Ao abordar as prioridades para o setor, Madalena afirmou que a defesa da atividade diante dos discursos contrários à fumicultura deve estar entre as principais bandeiras. Também criticou o chamado “imposto do pecado”, previsto na reforma tributária, classificando a medida como injusta para a cadeia produtiva.

O secretário ressaltou que, na avaliação do Governo do Estado, o debate sobre o tabaco precisa considerar também o impacto da atividade na geração de renda e na permanência das famílias no meio rural. “É nessa atividade que nós encontramos de fato os grandes produtores das pequenas áreas rurais do nosso país”, afirmou.

Madalena citou a força da agricultura familiar gaúcha e sua participação na geração de divisas e nas exportações. Em nome do Governo do Estado, garantiu apoio à formulação de políticas públicas, ao atendimento dos municípios produtores e à defesa da cadeia produtiva. “Contem conosco também na questão da defesa intransigente dessa cadeia produtiva. Cadeia produtiva muito importante para o estado do Rio Grande do Sul”, declarou.

Ao final, desejou uma boa colheita aos produtores e parabenizou a família anfitriã pela representatividade na atividade rural gaúcha.

Família Tornquist representa tradição e sucessão no campo

Com 90 mil pés de tabaco cultivados, Alceu e Eliane Tornquist esperam repetir o resultado da safra anterior, quando a mesma área de plantio garantiu mais de 13 toneladas de produção, o equivalente a 900 arrobas. A trajetória da família é marcada pela continuidade da atividade rural e pela sucessão entre gerações. Alceu deu sequência ao trabalho iniciado pelos pais, Ilgo, de 81 anos, e Clarice, já falecida.

Atualmente, as filhas Francieli Melyza, de 26 anos, e Fabrícia Milena, de 21, também seguem na agricultura, com propriedades e lavouras próprias, ao lado dos companheiros Gabriel Wink e Moisés Severo.

A propriedade, com 7,5 hectares, mantém uma produção diversificada. Além do tabaco, a família aproveita a resteva para o cultivo de grãos. Neste ano, foram plantados cinco hectares de milho, que resultaram em 25 toneladas. “Variamos entre milho e soja na safrinha, conforme o preço de mercado”, explica Alceu.

A renda também é complementada pela criação de galinhas poedeiras para produção de ovos. A família mantém ainda horta e criações de suínos e bovinos de corte para consumo próprio.

Os investimentos em tecnologia também fazem parte da estrutura da propriedade. Para a cura do tabaco, são utilizadas duas estufas de ar forçado para folha solta. O local conta ainda com energia solar, secador de milho, trator e implementos agrícolas. Segundo o casal, a escolha pela fumicultura está relacionada ao rendimento por hectare, que torna a cultura uma alternativa de maior rentabilidade para pequenas propriedades rurais.

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