CNA prepara criação de comissão específica para o setor do tabaco

Olá Jornal
setembro15/ 2026

A cadeia produtiva do tabaco deverá ganhar uma estrutura específica de representação dentro da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA). A criação de uma comissão de trabalho voltada ao setor já foi autorizada pelo presidente da entidade, João Martins, e deverá reunir representantes para discutir demandas e estratégias de defesa da atividade. A informação foi confirmada pelo primeiro vice-presidente da CNA, Gedeão Pereira, em entrevista ao Olá Jornal durante a 49ª Expointer, em Esteio.

Segundo Pereira, a iniciativa busca aproximar a CNA das entidades e representantes ligados à cadeia do tabaco e fortalecer a atuação do setor também no âmbito legislativo. “A CNA está comprometida com o pessoal do tabaco na elaboração e da criação de uma comissão na CNA do tabaco, isso o presidente João Martins já autorizou”, afirmou.

A proposta surge em um momento de desafios para a cadeia produtiva, que enfrenta questões relacionadas à produção, ao mercado internacional, à tributação e às políticas públicas. Para o dirigente, apesar das particularidades do produto, o tabaco precisa ser tratado como uma atividade integrante do agronegócio brasileiro.

REPRESENTATIVIDADE
Durante a entrevista, Gedeão destacou o peso econômico e social da cadeia, especialmente para o Rio Grande do Sul. Ele citou as exportações do setor e a participação da agricultura familiar na produção. “O tabaco é um setor importantíssimo na economia gaúcha, US$ 3,5 bilhões de exportação”, destacou.

Na avaliação do vice-presidente, a importância da atividade ultrapassa os números das exportações. Segundo ele, o pequeno produtor encontra no tabaco uma fonte de renda que, em muitos casos, não teria substituição direta por outras culturas em propriedades de menor escala. “Realmente, a fonte de renda desse pequeno produtor é o tabaco. Então, nós temos que proteger a cultura do tabaco”, declarou.

O dirigente também defendeu que a cadeia seja reconhecida dentro da estrutura de representação do agronegócio. Para ele, a atividade tem importância para a economia brasileira e, principalmente, para o Rio Grande do Sul. “O tabaco é agronegócio”, reforçou ao falar sobre a articulação que poderá ser feita junto à Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA).

ARTICULAÇÃO
A comissão, conforme explicou Gedeão, deverá funcionar como um espaço de discussão e construção de ações dentro da CNA, com possibilidade de ampliar a articulação junto à FPA, que concentra a atuação legislativa ligada ao agronegócio no Congresso Nacional.

O primeiro vice-presidente da CNA relatou ainda que representantes ligados ao setor do tabaco estiveram recentemente em reunião com o presidente João Martins. Segundo ele, a visita foi bem recebida e teve como objetivo discutir uma atuação conjunta entre a entidade nacional do agro e a cadeia produtiva.

“Vamos trabalhar, vamos ver o que se pode fazer e como se pode ajudar”, resumiu. A expectativa agora é pela construção da comissão e pela definição de sua estrutura e forma de atuação. Gedeão explicou que não acompanhou as etapas posteriores à reunião, mas confirmou que ficou encaminhado um trabalho para estruturar a comissão dentro da CNA.

CADEIA ESTRATÉGICA
Na avaliação de Gedeão Pereira, a atuação da CNA em relação ao tabaco deve considerar tanto sua dimensão econômica quanto social. Ele reconheceu que o produto é alvo de debates relacionados à saúde, mas defendeu a separação entre a decisão individual de consumo e a importância econômica da atividade produtiva. “É uma agricultura como qualquer outra e utiliza o tabaco quem quer”, afirmou.

Para o dirigente, a relevância da cadeia na geração de renda, na agricultura familiar, na arrecadação e nas exportações justifica uma atuação organizada dentro da principal entidade de representação do setor agropecuário brasileiro.

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