Cadeia produtiva do tabaco e Agricultura Familiar no RS: veja o que dizem os programas de governo dos candidatos

Olá Jornal
agosto19/ 2026

Com a campanha eleitoral nas ruas e na internet desde o último dia 16, a disputa pelo Palácio Piratini entra em ritmo acelerado. Neste período, o impulsionamento de conteúdos e a realização de lives pelas campanhas passam a ser monitorados de perto pela Justiça Eleitoral, configurando atos formais de promoção de candidatura. Com o primeiro turno marcado para 04 de outubro, e o eventual segundo turno para o dia 25 do mesmo mês, os gaúchos acompanham as estratégias desenhadas para o futuro do Estado, com atenção especial ao setor que é o coração da economia gaúcha.

A agricultura familiar não é apenas um segmento econômico no Rio Grande do Sul, ela é o alicerce cultural e produtivo do interior gaúcho. É nas pequenas propriedades que se mantém viva a sucessão rural, a preservação de tradições e o desenvolvimento sustentável dos municípios. Uma prova dessa força está na cadeia produtiva do tabaco. Apenas na safra 2025/2026, o Estado contou com 67.815 famílias produtoras, segundo dados da Associação dos Fumicultores do Brasil (Afubra). Esse universo de milhares de famílias movimenta a economia local e exige do próximo governo políticas públicas precisas para superar desafios como as mudanças climáticas e a necessidade de infraestrutura.

Confira, os principais destaques dos candidatos ao governo para a agricultura familiar e como suas propostas cruzam com a realidade da cadeia produtiva do tabaco, em âmbito regional:

GABRIEL SOUZA (MDB)
O plano de governo do atual vice-governador concentra esforços na resiliência climática, na tecnologia e na infraestrutura rural. O candidato propõe a criação do “Plano Safra Gaúcho” para articular crédito e assistência técnica. Para combater as estiagens, a aposta é na ampliação de programas como o Irriga+ e a Operação Terra Forte, com foco na reservação de água e manejo do solo. Na infraestrutura, a promessa de tornar permanente o programa Energia Forte no Campo é um ponto sensível para a cadeia do tabaco, que depende vitalmente de energia elétrica trifásica e estável para a cura (secagem) da folha nas estufas. O candidato também prevê estímulos à sucessão rural, ao cooperativismo e ao plantio de culturas de inverno para agregar valor e diversificar a propriedade na entressafra.

JULIANA BRIZOLA (PDT)
A proposta tem forte viés na segurança alimentar, na transição ecológica e na diversificação produtiva, defendendo também a retomada de um Plano Safra estadual. O grande destaque é o Programa Estadual de Abastecimento, que visa garantir a compra direta de produtos da agricultura familiar para a merenda escolar, hospitais e programas sociais do Estado. Para as famílias fumicultoras, essa política de compras governamentais representa a garantia de um mercado institucional seguro para viabilizar a diversificação de culturas, como o plantio de hortaliças e grãos. O plano ainda prevê o financiamento de cisternas e microaçudes para a segurança hídrica, e a reestruturação da assistência técnica pública (Emater) com foco na agroecologia.

LUCIANO ZUCCO (PL)
A aposta para o campo envolve a criação de uma subvenção estadual complementar ao seguro rural federal, priorizando justamente os produtores e as regiões mais expostas aos riscos climáticos. O plano também se compromete com o fomento a estruturas de secagem e armazenagem, essenciais para a conservação da qualidade da safra pós-colheita.
O estímulo à modernização é outro destaque, com a proposta de democratizar o acesso à agricultura de precisão, automação e bioinsumos, garantindo que as inovações tecnológicas não fiquem restritas apenas às propriedades de grande porte, mas alcancem os pequenos agricultores familiares.

MARANATA (PSDB)
As diretrizes para o setor rural focam intensamente na gestão de risco financeiro e climático, fatores cruciais após as sucessivas perdas de safra por seca e granizo. O ex-prefeito de Guaíba defende a expansão do acesso ao seguro rural e a criação de novos instrumentos de proteção contra intempéries para blindar a renda do produtor. A irrigação é tratada sob uma ótica descentralizada, com programas desenhados a partir das bacias hidrográficas e microrregiões. Outro pilar da proposta é o apoio estruturado às cooperativas ligadas à agricultura familiar, visando facilitar a organização social e a comercialização dos produtos cultivados no interior do Estado.

REJANE DE OLIVEIRA (PSTU)

O programa do PSTU fundamenta-se em uma crítica direta ao modelo agroexportador e na defesa da superação dessa matriz econômica no campo. Para enfrentar essa realidade, a legenda propõe uma reforma agrária radical com foco na desapropriação de grandes propriedades e terras improdutivas para destiná-las à agricultura familiar. Além disso, o plano defende o corte de subsídios ao setor exportador, o redirecionamento do crédito público e da assistência técnica para a produção agroecológica, o fornecimento de alimentos da agricultura familiar para a merenda escolar e o perdão das dívidas bancárias dos pequenos produtores.

PRISCILA VOGT (UP)

A proposta da Unidade Popular concentra-se na soberania popular, no combate aos monopólios e na atuação estatal voltada à garantia de direitos fundamentais e à produção de alimentos. Como alternativa, a UP defende a realização de uma reforma agrária popular com a redistribuição de latifúndios e a titulação de terras para camponeses. O programa também prevê investimentos massivos na pequena produção voltada ao mercado interno, a criação de mercados populares para a comercialização de alimentos a preços acessíveis, a suspensão total dos benefícios fiscais concedidos ao agronegócio e uma regulamentação mais rígida sobre o uso de agrotóxicos.

FOTO: Divulgação/AI SindiTabaco

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