A área destinada ao cultivo de soja deve crescer em Venâncio Aires na safra 2026/2027. Conforme a expectativa do escritório local da Emater/Ascar, a cultura deverá ocupar mais de 7.250 hectares no município. Se confirmada, a projeção representa um aumento em relação aos 7.100 hectares cultivados no ciclo 2025/2026.
O avanço ocorre mesmo diante de um cenário de maior atenção às condições climáticas. A próxima safra de verão deverá ser marcada pela influência do El Niño, fenômeno que tende a provocar aumento das chuvas na Região Sul e pode trazer desafios para o planejamento e o desenvolvimento das lavouras.
Em Venâncio Aires, a soja vem mantendo espaço importante entre as culturas de verão. Na safra 2024/2025, foram cultivados 6.800 hectares, conforme os dados da Emater/Ascar, com produção estimada em 17.646 toneladas e produtividade de 2.595 quilos por hectare. Na temporada seguinte, a área avançou para 7.100 hectares, enquanto a produtividade chegou a 2.880 quilos por hectare, resultando em uma produção de 20.448 toneladas.
Apesar do crescimento da área os dados também apontam redução no número de famílias produtoras. Foram registradas 313 famílias na safra 2024/2025, contra 200 no ciclo 2025/2026. O cenário indica uma concentração da produção em um número menor de propriedades, ao mesmo tempo em que a cultura amplia sua área cultivada.
ATENÇÃO AO CLIMA
Para a safra 2026/2027, o comportamento do clima será um dos principais pontos de atenção. Em avaliação divulgada em agosto, a Embrapa destaca que a ocorrência do El Niño exige planejamento antecipado dos agricultores. Para o Sul do Brasil, a expectativa é de chuvas acima do normal, o que pode aumentar os riscos de erosão do solo, dificultar operações no campo e favorecer a ocorrência de doenças nas lavouras.
O Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) também aponta que, durante episódios de El Niño, o aumento das chuvas na primavera e no início do verão pode favorecer a disponibilidade de água no Sul, mas o excesso de precipitações pode provocar encharcamento do solo, ampliar a incidência de doenças e dificultar o plantio, os tratos culturais e a colheita.
Diante desse cenário, a Embrapa recomenda que os produtores respeitem os períodos de semeadura estabelecidos pelo Zoneamento Agrícola de Risco Climático (Zarc).
