Área coberta por água em Venâncio Aires cresce e reflete impactos dos eventos climáticos extremos

Olá Jornal
junho20/ 2026

A área ocupada por recursos hídricos em Venâncio Aires voltou a crescer nos últimos anos e atingiu 490 hectares em 2024, segundo dados do MapBiomas, plataforma que monitora a cobertura e o uso da terra em todo o Brasil por meio de imagens de satélite e inteligência artificial.

O levantamento mostra que, ao longo das últimas duas décadas, a superfície coberta por água no município, incluindo rios, arroios, açudes e demais corpos hídricos, passou por oscilações significativas, acompanhando os efeitos dos eventos climáticos extremos que marcaram o Rio Grande do Sul nesse período.
Em 2000, Venâncio Aires registrava 511 hectares de área com água. Nos anos seguintes, houve uma tendência de redução, chegando a 430 hectares em 2005. A série histórica revela períodos de recuperação e retração, influenciados principalmente pelas condições climáticas que impactam diretamente a disponibilidade hídrica.

O menor índice foi registrado em 2020, quando a área coberta por água alcançou apenas 423 hectares. O resultado coincide com uma das mais severas estiagens enfrentadas pelo Rio Grande do Sul nas últimas décadas. Entre 2020 e 2023, a escassez de chuvas afetou rios, arroios, açudes e reservatórios em diversas regiões do Estado, provocando prejuízos ao abastecimento, à agricultura e à pecuária.

Os dados do MapBiomas evidenciam como esses períodos de seca reduzem a superfície de água identificada por satélite. Em contrapartida, anos com maior volume de precipitações e ocorrência de cheias tendem a ampliar temporariamente a área ocupada pelos recursos hídricos.

A partir de 2021, os números voltaram a apresentar crescimento. A área passou de 456 hectares em 2021 para 468 hectares em 2022, manteve-se praticamente estável em 2023, com 466 hectares, e alcançou 490 hectares em 2024. O valor representa um aumento de 67 hectares em relação ao mínimo observado em 2020, equivalente a uma expansão de aproximadamente 15,8%.

A recuperação observada nos últimos anos também reflete o período de chuvas intensas registrado no Estado, especialmente em 2024. As enchentes históricas que atingiram o Rio Grande do Sul provocaram o aumento dos níveis dos rios e arroios, ampliando áreas alagáveis e expandindo temporariamente o espelho d’água em diversos municípios, incluindo Venâncio Aires. Com a elevação dos cursos d’água e a inundação de áreas adjacentes, a superfície identificada como água pelos satélites também apresentou crescimento.

Embora o índice de 2024 ainda esteja 21 hectares abaixo do registrado em 2000, os dados indicam uma recuperação significativa da superfície hídrica do município em comparação aos anos mais críticos da estiagem recente.

O monitoramento é realizado pelo MapBiomas, iniciativa que reúne universidades, organizações não governamentais e empresas de tecnologia para acompanhar as transformações ambientais no território brasileiro. Além de mapear a cobertura vegetal e o uso da terra, a plataforma acompanha a dinâmica dos recursos hídricos, fornecendo informações importantes para a gestão da água, a prevenção de desastres naturais e a formulação de políticas públicas voltadas à adaptação às mudanças climáticas.

A série histórica de Venâncio Aires demonstra que a disponibilidade de água no território está diretamente ligada ao comportamento climático. Enquanto as estiagens reduzem a área ocupada por rios, arroios e açudes, os períodos de chuvas intensas e enchentes ampliam temporariamente esses espaços, evidenciando os desafios cada vez maiores impostos pelos eventos extremos à gestão dos recursos hídricos.

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