Araucária enxertada desponta como alternativa para ampliar produção de pinhão em Venâncio Aires, que registra safra histórica

Olá Jornal
maio30/ 2026

A adoção da araucária enxertada pode abrir uma nova frente de crescimento para a produção de pinhão em Venâncio Aires. A técnica, destacada pelo chefe do escritório local da Emater/RS-Ascar, engenheiro agrônomo Vicente Fin, reduz drasticamente o tempo necessário para a entrada em produção e pode transformar a cultura em uma alternativa mais rentável para produtores do município.

Enquanto uma araucária cultivada a partir de semente pode levar entre 12 e 20 anos para começar a produzir pinhão, as mudas enxertadas podem iniciar a produção entre quatro e 10 anos, dependendo das condições de cultivo e do material genético utilizado. Além da precocidade, a tecnologia oferece outras vantagens, como porte reduzido, que facilita a colheita, possibilidade de controle do sexo das plantas, já que apenas árvores fêmeas produzem pinhão, e maior previsibilidade quanto à qualidade da produção.

“A genética da ponta da planta é o que define a produção. Quando se faz o enxerto, se traz material de uma planta adulta e produtiva para uma planta nova, que passa a produzir muito antes”, explica Fin.

O tema ganha relevância justamente no momento em que Venâncio Aires vive a maior safra de pinhão da série histórica monitorada pela Emater/RS-Ascar. Em 2026, o município alcançou 21,26 toneladas colhidas, volume recorde que representa crescimento de 4,32% em relação a 2025, quando já havia sido registrada uma supersafra de 20,38 toneladas.

Segundo Fin, o bom desempenho atual reflete a recuperação climática após anos de estiagem, já que o ciclo produtivo do pinhão é longo e os impactos meteorológicos aparecem com defasagem.
“O pinhão leva entre dois anos e meio e três anos para se formar a partir da polinização. Uma seca hoje vai impactar a produção daqui a dois ou três anos”, afirma.

Atualmente, Venâncio Aires conta com 76 produtores e cerca de 30 hectares com presença de araucárias, sendo aproximadamente 61 com produção voltada à comercialização e os demais para consumo próprio.
Com o preço do pinhão em valorização, passando de R$ 6 para cerca de R$ 10 o quilo nos últimos anos, a introdução de araucárias enxertadas pode representar uma oportunidade econômica importante, especialmente para propriedades em áreas mais altas e inclinadas, onde a espécie apresenta melhor desempenho.

Outro diferencial da técnica está no manejo. Como as mudas enxertadas são formadas a partir de galhos laterais, tendem a desenvolver plantas mais compactas do que os pinheiros tradicionais, facilitando a colheita das pinhas e reduzindo dificuldades operacionais.

A possibilidade de definir previamente a proporção entre plantas macho e fêmea também aumenta a eficiência produtiva, já que a araucária é uma espécie dioica e depende da polinização adequada para a formação dos pinhões.

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