O setor produtivo do tabaco no Rio Grande do Sul poderá ganhar um novo instrumento de incentivo à agregação de valor da matéria-prima produzida pelos agricultores gaúchos. Protocolado na Assembleia Legislativa na última quinta-feira, 23, o Projeto de Lei nº 259/2026 propõe a criação da Política Estadual de Fortalecimento da Fumicultura e de Incentivo à Agregação de Valor à Cadeia Produtiva do Tabaco, com foco em inovação, industrialização e ampliação das oportunidades de negócios para um dos principais segmentos do agronegócio estadual.
De autoria do deputado estadual Marcus Vinicius de Almeida (PP), a proposta foi apresentada com o apoio de outros 12 parlamentares e contou com a participação de representantes da indústria, produtores e lideranças da cadeia produtiva. Entre eles, esteve o Sindicato Interestadual da Indústria do Tabaco (SindiTabaco), que considera o projeto um passo estratégico para preparar o setor para as transformações do mercado internacional.
Um dos principais pontos da proposta é o incentivo à extração e à industrialização da nicotina natural obtida das folhas de tabaco cultivadas no Estado. A medida busca estimular novos investimentos industriais, ampliar o aproveitamento da matéria-prima produzida pelos fumicultores e gerar maior valor agregado antes da comercialização. O texto também prevê a proibição da comercialização de produtos com nicotina sintética no Rio Grande do Sul, fortalecendo a competitividade da cadeia produtiva baseada na produção agrícola local.
Na avaliação do presidente do SindiTabaco, Valmor Thesing, o projeto cria condições para que a cadeia produtiva acompanhe a evolução do mercado global, diversificando as possibilidades de utilização do tabaco sem perder a competitividade conquistada pelo setor brasileiro.
Segundo Thesing, o Brasil mantém uma produção estável e exporta tabaco para mais de 120 países, mas precisa investir em inovação para ampliar as oportunidades de negócios. “Temos uma produção nacional estável e que tem sido anualmente direcionada para mais de 120 países. Mas é importante nos prepararmos para o futuro e para as transformações do mercado mundial. Pensar em novas aplicações para a matéria-prima, aproveitando as plantas industriais já instaladas, pode ampliar as oportunidades para todo o setor. O futuro da cadeia produtiva do tabaco no Brasil passa pela capacidade de inovar e agregar valor à produção, que já é reconhecida mundialmente por sua qualidade e pelas boas práticas implementadas”, afirma.
Além de incentivar a inovação industrial, a proposta pode gerar reflexos positivos para toda a cadeia produtiva, desde os produtores rurais até as empresas beneficiadoras e exportadoras, fortalecendo a permanência dos investimentos no Estado e impulsionando o desenvolvimento econômico das regiões produtoras.
