Estoque de carbono no solo de Venâncio Aires reforça preservação ambiental

Olá Jornal
junho05/ 2026

Neste Dia Mundial do Meio Ambiente, celebrado em 05 de junho, uma análise baseada na série histórica de imagens da plataforma MapBiomas revela que Venâncio Aires conseguiu manter a estabilidade do seu estoque de carbono orgânico do solo ao longo das últimas quatro décadas. Os dados, que cobrem o período de 1985 a 2024, indicam que a maior parte do município preserva concentrações que variam entre 40 e 60 toneladas por hectare na camada superficial da terra. Esses índices colocam a cidade em sintonia com as médias históricas dos biomas Mata Atlântica e Pampa, demonstrando uma notável resiliência ambiental em paralelo ao desenvolvimento econômico e agrícola da região.

O carbono orgânico do solo é um dos principais indicadores de saúde ambiental. Além de contribuir para a fertilidade da terra e a produtividade agrícola, ele desempenha papel fundamental na mitigação das mudanças climáticas ao armazenar carbono que, de outra forma, estaria presente na atmosfera.

O mapeamento territorial mostra que os maiores volumes de carbono estocado estão concentrados nas extremidades do município, atingindo picos de até 70 toneladas por hectare em áreas específicas. Ao norte, a elevada concentração é garantida pelas matas nativas preservadas na região serrana de Venâncio Aires. O relevo mais acidentado e a menor pressão de uso intensivo favoreceram a conservação da vegetação ao longo do tempo. Já no extremo sul, a riqueza orgânica do solo é sustentada pelas áreas verdes da bacia do Rio Taquari, especialmente no ecossistema de várzea do Taquari-Mirim, onde a umidade constante, as cheias periódicas e a vegetação ribeirinha favorecem o acúmulo de matéria orgânica.

A manutenção de elevados níveis de carbono em grande parte das áreas rurais também evidencia a consolidação de boas práticas de manejo no campo.

Em contraste com a preservação registrada no meio rural, a única perda significativa de carbono identificada pelas imagens de satélite ocorreu na área urbana central do município. O fenômeno está diretamente relacionado à expansão urbana e à impermeabilização do solo provocada pela construção de ruas, loteamentos, calçadas e edificações. Trata-se de um processo comum em áreas de crescimento populacional, mas que altera de forma permanente a dinâmica natural de armazenamento de carbono.
Mesmo diante desse cenário, o balanço geral para Venâncio Aires é positivo.

A manutenção da capacidade de retenção de carbono garante condições favoráveis para a continuidade da produtividade agrícola e reforça a importância dos recursos naturais para as futuras gerações. O estudo demonstra que é possível conciliar crescimento econômico, atividade agropecuária e preservação ambiental, especialmente com a conservação das matas da região serrana e das áreas úmidas associadas ao Rio Taquari.

CRÉDITO DE CARBONO
A transformação do estoque de carbono preservado em Venâncio Aires em créditos financeiros é uma possibilidade real, embora envolva desafios técnicos e econômicos. O mercado de carbono opera sob o princípio da adicionalidade, remunerando principalmente iniciativas que ampliem a captura de carbono ou evitem a perda de áreas naturais.

Nesse contexto, os custos de medição, certificação e auditoria ainda representam barreiras para propriedades individuais. Por isso, a participação dos pequenos produtores depende da organização coletiva por meio de cooperativas, associações ou sistemas de integração com agroindústrias.

FOTO: Willian Oliveira/Arquivo

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