Brasil consolida liderança global com exportação de 5,5 milhões de toneladas de tabaco em uma década

Olá Jornal
março28/ 2026

O Brasil reafirmou sua posição como maior exportador mundial de tabaco ao encerrar o ciclo entre 2015 e 2025 com resultados históricos. No período, o setor embarcou 5,56 milhões de toneladas para o exterior e movimentou US$ 25,18 bilhões (cerca de R$ 125 bilhões), consolidando-se como um dos pilares do agronegócio nacional e peça-chave para o superávit da balança comercial.

O desempenho da última safra foi decisivo para esse marco. Em 2025, o setor alcançou recorde de receitas, impulsionado principalmente pela forte valorização do produto no mercado internacional.
Além da entrada expressiva de divisas, o setor tem papel estratégico na arrecadação pública. A cadeia produtiva do tabaco gera bilhões em tributos federais e estaduais, sustentando economicamente centenas de municípios, sobretudo na região Sul do país. Esse fluxo de recursos é fundamental para a manutenção de serviços públicos e reforça a importância do segmento para o equilíbrio das contas governamentais.

No cenário internacional, a última década evidenciou uma reconfiguração geográfica relevante dos mercados consumidores. A Bélgica consolidou-se como principal destino do tabaco brasileiro, ampliando suas compras em US$ 336,5 milhões desde 2015 e atuando como hub de distribuição para a Europa. Na sequência, a China reforçou sua posição estratégica, com crescimento de US$ 312,5 milhões no período, refletindo a forte demanda asiática pela qualidade do produto brasileiro.

Outros países também ganharam protagonismo. A Indonésia triplicou suas importações, agregando US$ 194,6 milhões ao faturamento anual do Brasil. Emirados Árabes Unidos e Vietnã avançaram significativamente, com aumentos superiores a US$ 100 milhões cada, consolidando-se como parceiros comerciais de primeira linha. O movimento indica uma diversificação consistente da carteira de destinos, reduzindo a dependência de mercados tradicionais.

Entre os destaques de crescimento relativo, a Colômbia chamou atenção ao expandir suas compras em 1.365% na comparação com 2015. Já o Iraque emergiu como novo mercado relevante, encerrando 2025 com importações de US$ 24,6 milhões, após não registrar aquisições no início da série. Países como Montenegro e Líbia também passaram a integrar o mapa exportador brasileiro.

Por outro lado, a década registrou retrações importantes em destinos históricos, influenciadas sobretudo por fatores geopolíticos. A Rússia apresentou a maior queda absoluta, com redução de US$ 56 milhões, seguida por Alemanha e Países Baixos.

O balanço do período revela um redesenho no fluxo global do tabaco brasileiro, com maior concentração em mercados do Oriente e do Oriente Médio. Nesse novo cenário, o Brasil se consolida não apenas como líder em exportação, mas também como fornecedor estratégico para economias emergentes e hubs logísticos internacionais.

Brum: “O tabaco é o que mais gera renda na pequena propriedade”

Pequenas propriedades têm no tabaco sua cultura mais rentável, destaca Secretário da Agricultura do RS

O secretário estadual de Agricultura, Pecuária, Produção Sustentável e Irrigação, Edivilson Brum (MDB), reforçou a importância estratégica da cadeia produtiva do tabaco para a economia gaúcha e nacional. Em entrevista ao Olá Jornal, ele destacou que o setor segue sendo essencial para geração de renda, emprego e arrecadação, além de ter papel central na sustentação das pequenas propriedades rurais.

Segundo Brum, não há espaço para preconceitos em relação a uma atividade legalizada e amplamente consolidada no agronegócio brasileiro. “Enquanto o tabaco for legal, terá o apoio do governo, porque gera oportunidades e movimenta a economia”, afirmou. Ele ressaltou que, ao longo de uma década, o setor foi responsável por injetar cerca de US$ 25 bilhões na economia, com impacto direto em diversas áreas, como saúde, educação e assistência social, por meio da arrecadação de impostos.

O secretário também rebateu críticas que associam o incentivo à produção com apologia ao consumo. De acordo com ele, cerca de 90% do tabaco produzido no Brasil é destinado à exportação, o que reforça o caráter econômico da atividade. Além disso, citou estudos acadêmicos que indicam melhores índices de qualidade de vida entre produtores de tabaco em comparação a outras culturas.

CENTRO PRODUTIVO
Um dos principais pontos defendidos por Brum é o protagonismo do tabaco na agricultura familiar. Para ele, trata-se da cultura que mais agrega valor às pequenas propriedades no estado. “O produtor rural não tem tamanho. E, dentro desse universo, o tabaco é o que mais gera renda na pequena propriedade”, afirmou.

Ele destacou ainda que o perfil do produtor de tabaco é marcado pela diversificação produtiva. Além da lavoura principal, é comum que essas propriedades mantenham cultivos como milho e mandioca, criação de animais e até áreas de preservação ambiental. Esse modelo, segundo o secretário, fortalece a segurança alimentar e a sustentabilidade das famílias rurais.

A atividade está distribuída em diversas regiões do estado, com forte presença no Vale do Rio Pardo, mas também em áreas do Vale do Taquari, região Sul, Costa Doce e até no Norte gaúcho, como na região de Frederico Westphalen.

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