O dia 20 de novembro não é apenas um feriado; é uma data de profunda reflexão sobre a resistência, a luta e a resiliência do povo negro no Brasil. Criada na década de 1970 por Oliveira Silveira, líder do grupo cultural Palmares, a data foi idealizada para homenagear Zumbi dos Palmares, símbolo da resistência negra, e para se contrapor ao 13 de maio, o Dia da Abolição da Escravatura, uma data que, segundo líderes negros, não representa o verdadeiro processo de libertação. Em 2024, o 20 de novembro passa a compor o calendário oficial de feriados nacionais, oportunizando a troca de conhecimento e a reflexão sobre o povo negro no território brasileiro.
A escolha do 20 de novembro como o Dia Nacional da Consciência Negra tem um peso simbólico e histórico. “O 13 de maio, apesar de ser um marco importante, representa uma liberdade imposta, que não resultou em igualdade ou dignidade para o povo negro”, explica o produtor cultural Sérgio Rosa. O ator, tem liderado ações culturais ao longo do mês de novembro para enaltecer a cultura negra, seja em Venâncio Aires, como no Rio Grande do Sul. Para o venâncio-airense, a verdadeira abolição, se dá na conscientização da sociedade e na erradicação do racismo estrutural.
O 20 de novembro, não é um dia de celebração festiva, mas de reflexão e de luta, segundo Rosa. Em um país onde o racismo ainda é uma realidade cruel e presente, o Dia da Consciência Negra oferece uma oportunidade para refletir sobre o papel do povo negro na formação do Brasil e sobre os desafios que ainda persistem. “É importante compreender a simbologia dessa data. Porque no momento que a pessoa busca compreender o 20 de novembro, ela compreende grande parte da história do Brasil, porque existe um povo preto sem o Brasil, mas não existe um Brasil sem o povo preto,” reforça.
O racismo ainda mata, segrega e limita as oportunidades para a população negra. A luta antirracista, portanto, não é apenas de pessoas negras, mas deve ser abraçada por todos. Como destaca o produtor cultural, é urgente que todos se envolvem na luta contra o racismo. “O racismo atravessa todas as questões sociais, como saúde, educação e trabalho. Ele não é apenas um problema de pessoas negras, mas uma estrutura que envolve toda a sociedade”, afirma.

Para o ator, a sociedade precisa se desconstruir e entender que o racismo não se limita ao passado, mas é uma realidade que impacta todos os aspectos da vida cotidiana. A luta, portanto, é para que o Brasil se reconheça como um país verdadeiramente plural e democrático, onde a igualdade racial seja uma realidade e não uma utopia.
O Dia Nacional da Consciência Negra celebrado nesta quarta-feira, 20 de novembro, em todo o país, se faz essencial: para refletir, lutar e construir uma sociedade mais justa e igualitária para todos.
DATA
Em um marco histórico para o Brasil, o Dia Nacional de Zumbi e da Consciência Negra, celebrado em 20 de novembro, passa a ser feriado nacional a partir deste ano. A lei que institui a data como feriado em todo o território nacional foi sancionada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), em dezembro de 2023. Essa lei teve origem a partir de um projeto do Senado, a PL 3268/21, que foi aprovado pela Câmara dos Deputados. A decisão reconhece a importância da luta contra o racismo e valoriza a contribuição da população negra para a formação da sociedade brasileira.
A data, que já era feriado em alguns estados e municípios, ganha agora status nacional, reforçando o compromisso do país com a igualdade racial. Com a nova lei, escolas, bancos, empresas e órgãos públicos estarão fechados ou com funcionamento parcial. Apenas os serviços essenciais funcionarão normalmente. A medida visa garantir que a data seja celebrada e que a população reflita sobre a importância da luta antirracista.