Presidente da Farsul, Gedeão Pereira, destaca importância do tabaco no agro gaúcho e os desafios climáticos para novas safras

Olá Jornal
abril03/ 2025

Passada a Expoagro, o presidente da Federação da Agricultura do Rio Grande do Sul (Farsul), Gedeão Pereira, enfatiza a importância da produção de tabaco para a economia do estado, além de abordar os desafios climáticos e as projeções para a safra 2025. A produção de tabaco, que se mantém estável em meio a dificuldades enfrentadas por outras culturas, é um dos principais pontos destacados por Pereira.

Gedeão Pereira: “O mercado de fumo continua bombando” FOTO: Guilherme Siebeneichler

O dirigente ressalta que, enquanto outras lavouras, como a soja, enfrentam sérios problemas devido às condições climáticas adversas, o mercado de tabaco se mostra mais resiliente. Segundo ele, o tabaco continua a ser uma atividade econômica fundamental para o Rio Grande do Sul, com um mercado internacional que exporta cerca de US$ 3 bilhões anualmente, contribuindo para a economia do estado.

Destaca, ainda, que o setor do tabaco no Rio Grande do Sul é altamente estruturado e possui um mercado estável, o que garante uma relativa estabilidade para os produtores, principalmente na região de Santa Cruz, tradicional polo produtor de fumo. “O mercado de fumo continua bombando”, avalia ao pontuar que os produtores dessa cultura não enfrentam as mesmas dificuldades de outros setores.

Além disso, Pereira menciona a importância da Expoagro Afubra, feira agrícola voltada principalmente para o pequeno produtor e a diversificação. Para o dirigente, apesar das feiras agrícolas do Rio Grande do Sul terem focos distintos, todas são fundamentais para o desenvolvimento tecnológico do agronegócio gaúcho. “A Expoagro Afubra, em particular, se destaca pela sua ênfase no cultivo do tabaco e na busca por soluções para integrar as culturas de fumo com outras atividades agrícolas de forma sustentável”.

Apesar das dificuldades enfrentadas pelo setor agrícola, como a seca e os custos de produção elevados, Pereira destaca que a produção de tabaco segue estável, enquanto outras culturas, como a soja, registram quedas significativas nas projeções de colheita devido à irregularidade das chuvas. Ele explica que a produção de tabaco, especialmente o exportado, não tem sofrido com os mesmos impactos climáticos, como foi o caso da soja, que sofreu um grande impacto com a estiagem.

CLIMA
Já a crise hídrica, que afeta a agricultura no estado, é um ponto a ser considerado, segundo Pereira. Embora o tabaco tenha mostrado maior resistência a essas variações climáticas, ele alerta para a necessidade de maior investimento em tecnologias de irrigação para garantir a sustentabilidade das lavouras. A irrigação, que ainda abrange uma área reduzida no estado, foi apontada como uma das soluções para mitigar os impactos da seca prolongada.

Em relação às perspectivas para o futuro, Pereira defendeu uma maior integração entre as políticas públicas e as tecnologias de irrigação, além da necessidade de maior apoio a práticas agrícolas que garantam a sustentabilidade do tabaco e outras culturas. “É fundamental que o Rio Grande do Sul continue avançando no desenvolvimento de soluções tecnológicas e em um planejamento eficiente de recursos hídricos”, declara.

O presidente da Farsul reafirmou que, apesar dos desafios, a produção de tabaco no Rio Grande do Sul segue sólida e continua sendo um pilar econômico essencial para o estado.

ESTIAGEM
Repetindo mais um ano de perdas na produção agrícola gaúcha por causa da estiagem, a soja, principal cultura de verão no Estado, deverá sofrer redução de 17,4% em produção, para pouco mais de 15 milhões de toneladas, em relação ao ciclo anterior. Em 2024, foram 18,2 milhões de toneladas colhidas.

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