A safra de inverno de 2026 deverá registrar uma redução significativa na área cultivada com trigo em Venâncio Aires. Conforme levantamento preliminar da Emater/Ascar, o município deve semear cerca de 350 hectares do cereal, número que representa aproximadamente metade da área cultivada no ano anterior, quando foram registrados cerca de 700 hectares.
Em contrapartida, outras culturas de inverno apresentam crescimento expressivo. A canola, por exemplo, deve alcançar 150 hectares plantados, um aumento considerável em relação aos cerca de 13 hectares registrados anteriormente. Também estão previstos 20 hectares de aveia branca e aproximadamente 10 a 12 hectares destinados à produção de sementes de aveia.
Segundo o chefe do escritório municipal da Emater/Ascar de Venâncio Aires, engenheiro agrônomo Vicente Fin, parte da redução da área de trigo está sendo compensada pela expansão da canola, cultura que vem apresentando melhor remuneração e maior aceitação de mercado. Mesmo assim, o total de áreas destinadas aos cereais de inverno permanece inferior ao registrado em anos anteriores.
Entre os fatores que explicam a retração do trigo estão os elevados custos dos insumos necessários para a implantação das lavouras e a instabilidade dos preços pagos ao produtor. Conforme destaca Fin, nos últimos anos os agricultores têm enfrentado uma situação recorrente: preços atrativos no momento do plantio, mas valores reduzidos na época da comercialização da safra, comprometendo a rentabilidade da atividade.
Outro aspecto apontado é a localização de Venâncio Aires em uma área considerada periférica para a produção de trigo destinado à panificação. Problemas climáticos, como excesso de chuvas durante a floração e a colheita, além da incidência de doenças, frequentemente afetam a qualidade dos grãos. Quando isso ocorre, o produto acaba sendo destinado ao mercado de ração animal, que oferece menor remuneração.
A decisão dos produtores também é influenciada pelas dificuldades enfrentadas nos últimos anos em áreas sujeitas a enchentes, especialmente na região de Vila Mariante a arredores. Muitos agricultores acumularam prejuízos com perdas na soja e em outras culturas, reduzindo a capacidade de investimento e aumentando a cautela diante de atividades consideradas de maior risco.
Além disso, muitos produtores têm optado por realizar apenas coberturas vegetais de solo com espécies como aveia e azevém, prática que exige menor investimento financeiro em comparação ao cultivo comercial de trigo.
Apesar da redução, a área definitiva de trigo ainda poderá apresentar pequeno aumento nas próximas semanas, podendo alcançar cerca de 450 hectares. No entanto, a tendência é de que a cultura mantenha participação menor na safra de inverno do município, enquanto a canola consolida seu avanço entre os agricultores locais.
FOTO: Paulo Ricardo Sartori/extensionista da Emater/RS-Ascar
