A produção de tabaco tem papel relevante na sustentação econômica da agricultura familiar no Rio Grande do Sul, contribuindo para a geração de renda e criando condições para que as famílias invistam também em outras atividades produtivas. Em regiões como os Vales, onde a cultura tem forte presença, a atividade convive com o crescimento das agroindústrias familiares e com iniciativas de diversificação das propriedades rurais.
No dia 28 de outubro, quando é celebrado o Dia do Produtor de Tabaco, o secretário estadual de Desenvolvimento Rural, Gustavo Bohrer Paim, destaca que mais de 90% da produção de tabaco está vinculada à agricultura familiar. Segundo ele, o setor integra uma realidade que reúne cerca de 300 mil famílias de agricultores familiares no Estado, evidenciando a dimensão econômica e social desse modelo de produção.
Ao comentar a relação entre o tabaco e a diversificação, Paim afirma que a atividade não impede o desenvolvimento de outras culturas e empreendimentos nas propriedades. Pelo contrário, a renda gerada pode oferecer segurança financeira para que os produtores ampliem suas atividades.
“Exatamente, te dá uma segurança financeira, te dá uma certeza e tu pode depois com outras culturas também diversificando sua produção”, afirma o secretário, ao destacar a presença dos jovens na atividade.
Jovens no campo
A participação da juventude na agricultura familiar é um dos aspectos destacados pelo secretário. Durante a Expointer, segundo Paim, chamou a atenção a quantidade de jovens interessados em investir na melhoria de suas atividades produtivas, especialmente entre aqueles vinculados à cultura do tabaco.
O Governo do Estado desenvolveu iniciativas por meio do programa Agrofamília Jovem. Conforme os números apresentados pelo secretário, uma primeira etapa destinou R$ 6 milhões a 244 jovens. Diante da procura, que registrou cerca de 9 mil interessados em lista de espera, foram realizadas novas etapas, com investimentos de R$ 6,5 milhões para atender mais 250 jovens e, posteriormente, R$ 12 milhões, contemplando 1.031 participantes.
Para Paim, a procura demonstra o interesse dos jovens em permanecer no meio rural e melhorar as atividades desenvolvidas pelas famílias. A possibilidade de combinar a produção de tabaco com outras culturas e empreendimentos representa uma alternativa para ampliar as fontes de renda e fortalecer a continuidade das propriedades familiares.
Agroindústrias
A diversificação também aparece no desenvolvimento das agroindústrias familiares, que agregam valor à produção e abrem novos canais de comercialização. Produtos como queijos, salames e geleias movimentam a economia local e ajudam a ampliar as possibilidades de renda das famílias rurais.
Paim destaca que a Secretaria Estadual de Desenvolvimento Rural apoiará mais de 160 feiras ao longo do ano, com o objetivo de aproximar produtores e consumidores e ampliar as oportunidades de venda.
“Isso é um movimento muito grande, faz uma diferença muito grande na vida dessas famílias”, afirma o secretário, ao se referir à comercialização dos produtos da agricultura familiar.
Segundo os dados apresentados por ele, a comercialização em feiras apoiadas pela secretaria já havia movimentado cerca de R$ 50 milhões no ano. O valor se refere a esses canais de venda e não representa o faturamento total da agricultura familiar gaúcha.
Na avaliação do secretário, a força da produção de tabaco e a expansão das agroindústrias não são atividades excludentes. A renda obtida com a cultura pode ajudar a sustentar a propriedade e criar condições para investimentos em outras áreas, enquanto a diversificação amplia as oportunidades de mercado.
