O dia 28 de outubro marca o Dia do Produtor de Tabaco, data que reconhece o trabalho de 136 mil famílias produtoras nos três estados do Sul do Brasil. A atividade, desenvolvida principalmente em pequenas propriedades rurais, tem papel importante na economia regional, na geração de renda e na manutenção de famílias no campo.
Conforme dados da safra 2025/2026 divulgados pelo Sindicato Interestadual da Indústria do Tabaco (SindiTabaco), a renda conjunta dos produtores chegou a R$ 23,2 bilhões, dos quais R$ 12,8 bilhões foram provenientes do cultivo de tabaco. A produção envolve 530 mil pessoas no meio rural e está presente em 527 municípios, com uma área plantada de 309 mil hectares e produção de 710 mil toneladas.
O Brasil ocupa a segunda posição entre os maiores produtores mundiais de tabaco e, desde 1993, mantém a liderança nas exportações globais. O desempenho está associado à integração entre agricultores e indústrias, por meio do Sistema Integrado de Produção de Tabaco (SIPT), que organiza a relação entre as partes e busca assegurar qualidade e regularidade no fornecimento da matéria-prima.
Para o presidente do SindiTabaco, Valmor Thesing, o trabalho dos produtores é essencial para manter a competitividade brasileira no mercado internacional. Segundo ele, a qualidade das folhas produzidas no campo contribui para a posição do país como principal exportador mundial. A atividade, acrescenta, também movimenta a economia de centenas de municípios.
RENDA E DIVERSIFICAÇÃO
Um dos diferenciais do cultivo está na capacidade de gerar renda em áreas relativamente pequenas. De acordo com o SindiTabaco, o tabaco ocupa, em média, 20,3% da área das propriedades produtoras, mas representa 55,4% da renda obtida pelas famílias.
Para Thesing, essa característica contribui para a permanência dos agricultores no meio rural, reduzindo o êxodo e possibilitando investimentos tanto em bens de consumo quanto na diversificação das propriedades.
Além da produção agrícola, a cadeia envolve aproximadamente 44 mil empregos nas indústrias do setor. Na área econômica, os números divulgados apontam arrecadação de R$ 24 bilhões em impostos e geração de US$ 3,31 bilhões em divisas com a exportação de 555 mil toneladas.
MODERNIZAÇÃO
A busca por novas tecnologias e práticas sustentáveis está entre as prioridades da cadeia produtiva, diante das exigências crescentes do mercado internacional. Segundo o presidente do SindiTabaco, a modernização é necessária para garantir a qualidade e a integridade do produto brasileiro.
Entre os desafios apontados pelo setor estão o combate ao mercado ilegal, estimado em 30% do mercado, e a abertura de novas oportunidades de negócios, como o segmento da nicotina líquida. Thesing avalia que a regulamentação dessa área poderia ampliar as possibilidades de renda para produtores e indústrias, considerando a disponibilidade de matéria-prima e tecnologia no país.
ORIGEM DA DATA
O Dia do Produtor de Tabaco foi definido em outubro de 2012, durante assembleia da Associação Internacional dos Produtores de Tabaco (ITGA). A escolha de 28 de outubro remete ao relato histórico de 1492, quando integrantes da expedição de Cristóvão Colombo chegaram à ilha de Cuba e observaram povos nativos utilizando folhas em um ritual com fumaça.
No Brasil, a data foi instituída oficialmente por leis estaduais no Rio Grande do Sul, em Santa Catarina e no Paraná, em 2013. A celebração busca reconhecer o trabalho dos produtores e a importância da atividade para a economia.
