Agro gaúcho entra em fase de recuperação, mas crédito ainda é desafio, aponta Farsul

Olá Jornal
setembro09/ 2026

O agronegócio gaúcho começa a entrar em uma nova fase, depois de um período marcado por perdas climáticas, endividamento e redução da capacidade de investimento. A avaliação é do presidente da Federação da Agricultura do Rio Grande do Sul (Farsul), Domingos Velho Lopes, em entrevista ao Olá Jornal neste domingo, 06, durante o encerramento da 49ª Expointer. Para o dirigente, “o fundo do poço já passou”, mas a recuperação ainda depende da solução de problemas que atingem diretamente os produtores.

Apesar do cenário mais positivo, o acesso ao crédito continua sendo um dos principais obstáculos para que a recuperação se consolide. Durante o balanço da Expointer, a Farsul apontou que apenas 11,7% do universo estimado de produtores havia avançado na renegociação de dívidas dentro das regras da Medida Provisória 1.376/2026. A preocupação aumenta diante da proximidade das janelas de plantio da safra de verão.

Para Domingos, é necessário recolocar produtores de diferentes portes no sistema financeiro. O presidente também criticou os juros elevados e afirmou que as taxas são consequência do desequilíbrio fiscal das contas públicas. Na avaliação dele, enquanto o produtor permanecer sem condições de acessar recursos, a retomada dos investimentos ficará limitada.

Outro ponto destacado pelo dirigente é a ampliação da presença dos produtos gaúchos no mercado internacional. Durante a Expointer, rodadas de negócios com compradores de diferentes países movimentaram US$ 2,4 milhões, com expectativa de superar US$ 3 milhões após a feira.

Domingos defende a aproximação entre entidades como Senar, Sebrae e Apex para ampliar a internacionalização das cadeias produtivas. Para ele, a conquista de mercados representa mais do que aumento das vendas: significa valorizar a qualidade e agregar valor à produção gaúcha.

A sanidade também aparece como fator estratégico. Na avaliação do presidente da Farsul, manter padrões sanitários elevados será fundamental para garantir a segurança dos mercados e sustentar o avanço das exportações, especialmente na pecuária.

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