Brasil tem a “tempestade perfeita” para desenvolver uma nova indústria avalia gerente da BAT Europa sobre produtos de nicotina

Olá Jornal
agosto13/ 2026

O Brasil reúne uma das maiores cadeias produtivas de tabaco do mundo, domina o cultivo de diferentes variedades e possui uma indústria consolidada. Mesmo assim, permanece à margem do mercado global de novos produtos de nicotina devido à falta de regulamentação para fabricação e comercialização dessas alternativas.

A avaliação é da gerente sênior de Engajamento Científico da BAT para a Europa, Analúcia Saraiva, durante entrevista concedida no Fórum Global de Nicotina (GFN), realizado em Varsóvia, na Polônia. Segundo ela, países europeus vêm ampliando investimentos em produtos sem combustão, enquanto o Brasil deixa de agregar valor à própria cadeia produtiva.

Ao afirmar que o Brasil teria a “tempestade perfeita” para desenvolver esse mercado, Analúcia explica que poucos países reúnem tantos fatores favoráveis ao mesmo tempo. “O Brasil teria a tempestade perfeita para adotar todos esses tipos de produto. A gente tem diversidade de aromas, das nossas frutas, da erva-mate, além das variedades de tabaco produzidas nos três estados do Sul, que oferecem uma experiência única para o desenvolvimento de produtos”, afirmou.

POLÔNIA COMO EXEMPLO
Além da produção agrícola, ela destaca que o país poderia avançar na industrialização da nicotina. Embora ainda discuta aperfeiçoamentos em sua legislação, a Polônia já possui um ambiente regulatório que permite a comercialização de diferentes categorias de produtos de nicotina.

Além de manter uma importante produção de tabaco, o país atraiu empresas que purificam a nicotina extraída naturalmente do tabaco para utilização em cigarros eletrônicos, bolsas de nicotina e outros produtos, criando um novo segmento industrial conectado à agricultura. “Eu entendo que o Brasil poderia destilar a nicotina, sim, produzir a nicotina”, destacou, ressaltando que essa etapa amplia o valor agregado da cadeia produtiva.

Para Analúcia, a Polônia demonstra como uma cadeia tradicional do tabaco pode evoluir para novos segmentos industriais sem abandonar sua produção agrícola. “Na Polônia existe uma área importante de plantação de tabaco, mas eles saíram na frente porque estabeleceram parcerias com empresas que estão purificando a nicotina”.

Outro exemplo é a fábrica da BAT em Trieste, na Itália. A unidade produz exclusivamente produtos sem fumaça, como bolsas de nicotina e componentes para tabaco aquecido, utilizando energia renovável e funcionando como centro de inovação da empresa. “É uma fábrica concebida para ser um hub de inovação e a única da BAT que não produz cigarros tradicionais”, explicou. Segundo Analúcia, a unidade continua em expansão desde sua inauguração, recebendo novas linhas de produção e consolidando-se como referência em sustentabilidade e inovação.

“Ela representa uma vitrine do ponto de vista de sustentabilidade e inovação para a BAT. Eu me sinto orgulhosa de ter participado dessa transformação da empresa”.

OPORTUNIDADE
Na avaliação da especialista, enquanto países europeus avançam na regulamentação e atraem investimentos, o Brasil permanece restrito ao fornecimento da matéria-prima. “Eu sempre faço essa comparação entre a Polônia e o Brasil e fico perguntando: o que falta no Brasil para fazer o que a Polônia fez?”, questionou.

Para ela, o avanço regulatório permitiria ao país aproveitar melhor sua liderança mundial na produção de tabaco, criando uma nova etapa de industrialização, inovação e agregação de valor para toda a cadeia produtiva.

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