A receita gerada pela safra de tabaco 2025/2026 no Sul do Brasil deve alcançar R$ 13,06 bilhões, conforme a projeção da Associação dos Fumicultores do Brasil (Afubra). O valor representa uma redução de 10,4% em relação aos R$ 14,57 bilhões registrados na safra 2024/2025, uma diferença de aproximadamente R$ 1,51 bilhão no faturamento bruto dos produtores.
Os números fazem parte da estimativa da entidade, elaborada com base na comercialização já realizada e nas projeções para o restante da safra. A Afubra ressalta que os dados ainda não são consolidados, já que a venda da produção continua ocorrendo, especialmente no Rio Grande do Sul, estado onde a comercialização avança mais lentamente em relação aos demais produtores.
Além da queda na receita, a projeção aponta redução em praticamente todos os principais indicadores da cadeia produtiva. A produção dos três estados do Sul deve totalizar 685.274 toneladas, frente às 719.891 toneladas da safra anterior, retração de 4,8%. O número de famílias produtoras também diminuiu, passando de 138.020 para 135.985 (-1,5%), enquanto o preço médio pago ao produtor caiu de R$ 20,25 para R$ 19,06 por quilo, redução de 5,9%.
QUEDA
O Rio Grande do Sul, maior produtor nacional de tabaco, concentra a maior retração financeira entre os estados. A estimativa da Afubra aponta faturamento bruto de R$ 5,39 bilhões, contra R$ 6,20 bilhões na safra passada, queda de 13,1%.
A produção gaúcha é estimada em 279.842 toneladas, redução de 7,8% em relação às 303.393 toneladas colhidas em 2024/2025. A produtividade média caiu de 2.302 para 2.119 quilos por hectare (-8%), enquanto o preço médio recuou 5,8%, passando de R$ 20,45 para R$ 19,27 por quilo.
Também houve redução no número de famílias produtoras, de 69.238 para 67.815 (-2,1%). Apesar disso, a área cultivada teve leve crescimento, passando de 131.789 para 132.076 hectares (+0,2%).
SUL
Em Santa Catarina, a receita estimada é de R$ 4,14 bilhões, frente aos R$ 4,60 bilhões da safra anterior, redução de 9,9%.
O estado deve produzir 218.832 toneladas, queda de 3,3%, enquanto o preço médio caiu de R$ 20,32 para R$ 18,92 por quilo (-6,9%). A produtividade também apresentou retração de 2%, passando de 2.401 para 2.352 quilos por hectare. O número de famílias produtoras diminuiu 2,5%, chegando a 40.668.
No Paraná, a receita projetada alcança R$ 3,53 bilhões, redução de 6,5% em relação aos R$ 3,77 bilhões da safra passada.
A produção paranaense é estimada em 186.601 toneladas, queda de 1,9%, enquanto o preço médio recuou 4,6%, de R$ 19,83 para R$ 18,91 por quilo. A produtividade caiu 1,8%, mas o estado foi o único a registrar aumento no número de famílias produtoras, passando de 27.062 para 27.502, crescimento de 1,6%.
COMERCIALIZAÇÃO
Como a comercialização da safra segue em andamento, sobretudo no Rio Grande do Sul, onde tradicionalmente as negociações se estendem por mais tempo, os valores apresentados pela Afubra ainda poderão sofrer alterações até o encerramento definitivo das vendas. A estimativa atual, no entanto, indica um cenário de menor produção, preços médios inferiores aos do ciclo anterior e, consequentemente, uma redução superior a R$ 1,5 bilhão na renda gerada aos fumicultores da Região Sul.
