Do legado dos imigrantes aos desafios atuais: agricultura segue como um dos pilares da economia local

Olá Jornal
julho25/ 2026

Às vésperas do Dia do Colono e Motorista, celebrado em 25 de julho, dados da Emater/Ascar ajudam a retratar as transformações vividas no meio rural de Venâncio Aires. O levantamento das atividades produtivas comerciais indica uma redução no número de famílias envolvidas na produção agropecuária do município, reforçando os desafios enfrentados pelas propriedades rurais que ajudaram a construir a história local desde a chegada dos imigrantes.

Conforme os dados da entidade, o total de registros de famílias ligadas a atividades produtivas comerciais passa de 6.453 para 6.286, uma redução de 167 registros entre os períodos analisados. Embora os números não representem necessariamente o total de famílias residentes no meio rural, já que uma mesma propriedade pode participar de mais de uma atividade produtiva, eles indicam uma retração na participação de agricultores nas cadeias produtivas do município.

No tabaco, principal cultura de Venâncio Aires, a projeção preliminar da Emater para a safra 2026/2027 aponta redução de 3.263 para 3.150 famílias produtoras. Além da diminuição no número de produtores, a área cultivada deve passar de 8.650 para 8.400 hectares, enquanto a produção projetada recua de 20.241 toneladas para 18.900 toneladas.

Mesmo sem representar o número exato de famílias que vivem no campo, o levantamento serve como um importante termômetro da atividade agropecuária local e da participação dos agricultores nas diferentes cadeias produtivas. Além do tabaco, a Emater acompanha atividades como milho, soja, leite, mandioca, hortaliças, produção florestal, avicultura, apicultura e piscicultura.

HERANÇA
Os números ganham significado especial neste mês de julho. Em Venâncio Aires, falar da agricultura é também falar da história dos colonos que desbravaram a região e transformaram o trabalho na terra em uma das principais marcas da identidade local.

A ocupação do município ocorreu principalmente por famílias de imigrantes alemães e seus descendentes, que encontraram na agricultura familiar a base para o desenvolvimento econômico e social da região. Foram eles que abriram áreas de cultivo, criaram comunidades, construíram escolas, igrejas e impulsionaram atividades produtivas que ainda hoje movimentam a economia local.

Mais de um século depois, a agricultura segue como um dos pilares do desenvolvimento de Venâncio Aires. Embora a indústria tenha ampliado sua participação na economia ao longo das últimas décadas, especialmente com o beneficiamento e a exportação de tabaco, a produção rural continua sendo responsável por grande parte da riqueza gerada no município.

FUTURO
A redução gradual no número de famílias produtoras evidencia desafios cada vez mais presentes no campo. Questões como sucessão familiar, rentabilidade das propriedades, custos de produção e permanência dos jovens na atividade agrícola influenciam diretamente a continuidade dos empreendimentos rurais.

No caso do tabaco, a diminuição projetada para a próxima safra reforça uma tendência observada nos últimos anos. Mesmo permanecendo como a principal cultura agrícola do município e a atividade com maior participação na renda do campo, o setor enfrenta transformações que exigem adaptação dos produtores e das entidades que representam a agricultura familiar.

Neste Dia do Colono, a homenagem aos agricultores também se transforma em reflexão sobre o futuro do meio rural. Preservar o legado deixado pelos imigrantes que construíram Venâncio Aires passa, necessariamente, pela capacidade de manter as novas gerações produzindo.

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