Entidades cobram fumageiras sobre comercialização do tabaco em reuniões das Cadecs

Olá Jornal
junho16/ 2026

As entidades representativas dos produtores de tabaco do Sul do Brasil realizaram, nos dias 15 e 16 de junho, reuniões com empresas fumageiras no âmbito das Cadecs (Comissões para Acompanhamento, Desenvolvimento e Conciliação da Integração). Os encontros ocorreram de forma individual com cada empresa e tiveram como foco principal a comercialização da atual safra de tabaco.

Durante as reuniões, as entidades cobraram ações das empresas diante das dificuldades enfrentadas pelos produtores na venda do tabaco. A representação dos produtores constatou que, após alguns anos de comercialização considerada adequada, a atual safra apresenta um cenário de compra que vem piorando a cada semana, especialmente em relação aos preços praticados.

Entre os principais pontos levantados esteve a forma de classificação do produto. As entidades questionaram por que, em muitos casos, a compra não estaria ocorrendo por classe, conforme a qualidade do tabaco, mas por média. Para a representação, essa prática prejudica especialmente os produtores que realizam a separação adequada do produto, entregam tabaco limpo e buscam maior qualidade.

Também foram levadas às empresas reclamações de produtores que desejam vender o tabaco, mas enfrentam falta de cargas disponíveis. Além disso, a comissão cobrou o cumprimento dos contratos e das estimativas de produção, incluindo a margem prevista no sistema integrado. Como resposta, as empresas apresentaram alguns argumentos para o atual cenário de comercialização. Entre eles, destacaram a perspectiva de mais uma safra de grande volume, a produção de tabaco por agricultores fora do sistema integrado, o aumento da produção em países como Zimbábue e na Oceania, além da desvalorização do dólar, que reduziria a competitividade do tabaco brasileiro no mercado internacional. Apesar das justificativas, todas as empresas garantiram à representação dos produtores que irão comprar todo o tabaco contratado com seus produtores integrados.

As entidades também cobraram que eventuais melhorias nos preços ocorram ainda durante a comercialização da safra, e não apenas no encerramento do período de compra. A representação lembrou que, na safra passada, a valorização mais significativa ocorreu somente no final, beneficiando um número reduzido de produtores.

Também foi discutido o cumprimento do calendário do plantio de tabaco, uma demanda acordada entre as empresas fumageiras e a representação dos produtores. As entidades defenderam que esse planejamento precisa ser respeitado para evitar desequilíbrios de produção e dificuldades futuras na comercialização.

Ao final dos encontros, algumas empresas adiantaram que o valor do pacote de insumos para a próxima safra deverá ser menor do que o praticado na safra atual. Para as entidades, no entanto, a prioridade segue sendo a valorização do tabaco produzido nesta safra, especialmente dos agricultores que cumprem o sistema integrado, investem em qualidade e realizam a separação adequada do produto.

A comissão representativa dos produtores é formada pela Associação dos Fumicultores do Brasil (Afubra) e pelas Federações da Agricultura (Farsul, Faesc e Faep) e dos Trabalhadores Rurais (Fetag, Fetaesc e Fetaep) do Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Paraná.

CRÉDITO: AI Afubra

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