Comercialização da safra de tabaco avança, mas segue abaixo do ritmo registrado no ano passado

Olá Jornal
maio27/ 2026

O ritmo de comercialização da safra 2025/2026 de tabaco no Sul do Brasil segue abaixo do registrado no ciclo anterior, cenário que tem gerado preocupação entre os produtores. Dados acompanhados pela Associação dos Fumicultores do Brasil (Afubra), com estimativas até o dia 23 de maio, apontam que 63,7% da safra total já foi comercializada nos três estados do Sul, percentual bem inferior aos 80,6% registrados no mesmo período da safra passada.

Entre os estados produtores, Santa Catarina apresenta o maior índice de comercialização, com 75,8% da safra vendida, seguido pelo Paraná, com 73,6%. No Rio Grande do Sul, principal produtor da região, o índice chega a 49,6%.

Na microrregião de Venâncio Aires, importante polo da produção de tabaco, o percentual de comercialização da safra atual alcança 52,1%, índice ligeiramente acima da média estadual, mas que ainda reflete a lentidão nas negociações.

Além do ritmo mais lento nas vendas, a redução dos valores pagos aos produtores tem ampliado a insatisfação no campo. A preocupação com os preços praticados e com os critérios adotados na classificação do produto motivou uma grande mobilização promovida pela Federação dos Trabalhadores na Agricultura no Rio Grande do Sul (FETAG-RS), na segunda-feira (25), em Santa Cruz do Sul.

O ato reuniu mais de dois mil agricultores e agricultoras familiares produtores de tabaco de diversas regiões do Estado, que cobraram maior valorização da produção, mais segurança nas negociações e avanços no processo de comercialização.

Após a mobilização, uma reunião entre lideranças da FETAG-RS, representantes dos agricultores familiares e o Sindicato Interestadual da Indústria do Tabaco (SindiTabaco) resultou em encaminhamentos considerados importantes para o andamento das discussões. Entre as definições, ficou acordada a realização de reuniões específicas entre as empresas e as CADECs (Comissões de Acompanhamento, Desenvolvimento e Conciliação da Integração) para aprofundar temas relacionados às portarias, protocolos e demais questões que impactam diretamente a comercialização.

As empresas também se comprometeram a dialogar com as equipes responsáveis pelas compras e pelo relacionamento com os produtores, especialmente sobre as abordagens adotadas durante a classificação e negociação do tabaco.

Segundo estimativas da Afubra apresentadas em novembro do ano passado, a produção de tabaco no Sul do Brasil deve alcançar 685,2 mil toneladas nesta safra. Os números definitivos serão divulgados pela entidade após o encerramento do ciclo de comercialização.

Olá Jornal