Entidades discutem entraves na venda do tabaco enquanto produtores realizam mobilização em Santa Cruz do Sul

Olá Jornal
maio25/ 2026

A comercialização da safra 2025/2026 de tabaco segue em ritmo mais lento do que o registrado nos últimos anos, cenário que mobiliza produtores e amplia as discussões entre entidades representativas do setor. Na manhã desta segunda-feira, 25, centenas de agricultores participam de uma mobilização em Santa Cruz do Sul, cobrando melhores condições de negociação e valorização da produção.

O ato, convocado pela Federação dos Trabalhadores na Agricultura no Rio Grande do Sul (Fetag-RS), reúne produtores de diversas regiões fumicultoras, especialmente do Vale do Rio Pardo, em frente ao Parque da Oktoberfest. A mobilização ocorre em meio à insatisfação com o ritmo da comercialização e com os valores praticados na compra do tabaco.

No fim da manhã, representantes da Fetag-RS e do Sindicato Interestadual da Indústria do Tabaco (SindiTabaco) participam de uma reunião para detalhar pontos de negociação e discutir possíveis encaminhamentos para a comercialização da atual safra.

Em entrevista ao Olá Jornal, o presidente da Fetag-RS, Eugênio Zanetti, afirma que a principal reclamação dos produtores está relacionada à classificação do produto e aos preços pagos pelas empresas.

Presidente da Fetag-RS, Eugênio Zanetti, destaca importância da mobilização

Segundo ele, fumicultores relatam que tabacos de boa qualidade não estão recebendo a valorização esperada, mesmo após investimentos em produção e classificação dentro dos critérios estabelecidos. Zanetti destaca ainda que a mobilização busca garantir diálogo com a indústria e evitar que o cenário atual gere endividamento entre agricultores familiares.

“A gente sabe que não existe o produtor sem a empresa, mas ao contrário também é verdadeiro. O que a gente quer é um diálogo aberto, franco, para que essa cadeia continue sustentável”, afirma.

O dirigente também chama atenção para os reflexos econômicos da situação nos municípios produtores. Conforme Zanetti, a redução na renda do agricultor impacta diretamente o comércio, a arrecadação e os serviços públicos nas cidades dependentes da cadeia produtiva do tabaco.

Presidente da Afubra, Marcílio Drescher, afirma que municípios sentem os impactos da comercialização

Afubra aponta lentidão nas vendas

O presidente da Associação dos Fumicultores do Brasil (Afubra), Marcílio Drescher, também acompanha a mobilização e reforça a preocupação com o atual cenário.

Segundo ele, a comercialização da safra no Rio Grande do Sul está significativamente mais lenta do que no mesmo período do ano passado, com grande volume de tabaco ainda armazenado nas propriedades.

“Temos praticamente dois terços do tabaco Virgínia ainda nas propriedades. A comercialização está muito lenta e os preços médios pagos pela maioria das empresas não contemplam a necessidade do produtor para cobrir seus custos e ter remuneração justa”, afirma.

Drescher destaca que a mobilização reflete a insatisfação crescente entre os fumicultores e alerta para os impactos econômicos mais amplos da desvalorização do produto.

“Cada valor que deixa de entrar no bolso do produtor representa milhões a menos circulando nos municípios, afetando arrecadação, comércio e serviços públicos”, ressalta.

Reuniões buscam encaminhamentos

Na última semana, a Afubra já havia sediado uma reunião extraordinária do Fórum Nacional da Integração (Foniagro), com participação da Comissão Representativa dos Fumicultores, SindiTabaco e empresas fumageiras, para tratar dos entraves registrados na comercialização.

Do lado da indústria, o SindiTabaco atribui parte das dificuldades ao cenário internacional mais competitivo e à desaceleração das exportações brasileiras.

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