A safra de pinhão em Venâncio Aires deve alcançar, em 2026, o maior volume já registrado na série histórica acompanhada pela Emater/RS-Ascar. Conforme os dados do escritório local, o município deve colher 21,26 toneladas, consolidando um novo recorde e confirmando a forte recuperação observada desde 2025.
O desempenho representa um crescimento de 4,32% em relação ao ano anterior, quando já havia sido registrada uma supersafra de 20,38 toneladas. Se comparado a 2024, período marcado por quebra técnica de produção, o salto acumulado supera os 51%, evidenciando a retomada da cultura após anos impactados por irregularidades climáticas.
Segundo o chefe do escritório local da Emater/RS-Ascar, engenheiro agrônomo Vicente Fin, o comportamento produtivo do pinhão precisa ser analisado com perspectiva de longo prazo, já que os efeitos climáticos não aparecem imediatamente na colheita.
“O pinhão leva entre dois anos e meio e três anos para se formar a partir da polinização. Então, uma seca hoje vai impactar a produção daqui a dois ou três anos”, explica.
Atualmente, Venâncio Aires contabiliza 76 produtores com presença de araucárias produtoras, distribuídos em cerca de 30 hectares. Desse total, aproximadamente 61 atuam com comercialização, enquanto cerca de 15 mantêm a produção apenas para consumo próprio.
De acordo com Fin, a recuperação da safra está diretamente ligada à melhora nas condições climáticas após períodos severos de estiagem. “Esse crescimento exponencial em relação a quatro ou cinco anos atrás acontece justamente porque, depois das secas, houve uma retomada nas condições favoráveis de fecundação e desenvolvimento”, destaca.
A série histórica mostra esse comportamento cíclico:
- 2019: 14,06 toneladas
- 2020: 13,35 toneladas (-5,06%)
- 2021: 14,39 toneladas (+7,75%)
- 2022: 15,63 toneladas (+8,62%)
- 2023: 15,31 toneladas (-2,05%)
- 2024: 14,03 toneladas (-8,36%)
- 2025: 20,38 toneladas (+45,28%)
- 2026: 21,26 toneladas (+4,32%)
Outro indicador do fortalecimento da cadeia de produção é a valorização do produto no mercado regional. Nos últimos anos, o preço do quilo do pinhão passou de R$ 6 para R$ 10, reflexo da alta demanda e da crescente valorização do produto nativo.
Esse movimento, segundo a Emater, também tem impacto ambiental positivo, incentivando a preservação das araucárias e despertando interesse pelo plantio em áreas de maior altitude e relevo inclinado, onde a cultura pode se consolidar como alternativa de renda complementar.
A legislação também busca garantir sustentabilidade à cadeia. A colheita só pode ocorrer a partir do período legalmente estabelecido, justamente para assegurar a maturação natural das pinhas, a alimentação da fauna silvestre e a regeneração da espécie.
FOTO: Ilvandro Barreto de Melo/Emater/RS-Ascar
