Entre ciclos e recordes: evolução do preço do tabaco na última década

Olá Jornal
maio14/ 2026

O mercado internacional de tabaco passou por uma transformação significativa ao longo da última década, marcada por ciclos de estabilidade, forte valorização e recordes históricos. Dados que analisam o valor médio pago por quilo entre 2008 e 2026 indicam que o período entre 2015 e 2025 foi determinante para redefinir o patamar de preços da commodity, com impactos diretos nas receitas de exportadores, especialmente no Brasil. As informações são acompanhadas pela Associação dos Fumicultores do Brasil (Afubra), com base em relatórios da Secretaria Federal de Comércio Exterior.

Em 2015, o preço médio do tabaco era de R$ 14,63 por quilo (US$ 4,23). Nos anos seguintes, até 2019, o mercado apresentou relativa estabilidade, embora com leve tendência de alta, fechando aquele período em R$ 15,37. Em dólar, no entanto, houve até uma pequena retração, com valores chegando a US$ 3,88, evidenciando que a sustentação em reais foi influenciada pelo câmbio.

A partir de 2020, o cenário mudou de forma significativa. O valor pago pelo produto iniciou uma trajetória de forte crescimento, saltando de R$ 16,73 para R$ 21,79 em 2022. Esse avanço coincidiu com transformações no comércio global, incluindo desafios logísticos e ajustes na oferta internacional.

DESTAQUE
O auge desse movimento ocorreu entre 2023 e 2024. Em 2024, o preço atingiu o maior nível de toda a série histórica: R$ 35,72 por quilo, com cotação internacional de US$ 6,54. O período marcou o ponto de maior rentabilidade para exportadores na década, consolidando o tabaco como uma das commodities agrícolas mais valorizadas do ciclo recente.

Já em 2025, os dados indicam um leve ajuste, com o valor recuando para R$ 33,65 (US$ 6,04). Apesar da queda moderada, o preço permanece em um patamar significativamente superior ao observado no início da década de 2010, sugerindo um processo de estabilização após o pico.

A análise também evidencia uma diferença importante entre as curvas em dólar e em real. Enquanto os preços em dólar apresentam variações mais moderadas e limites mais definidos, os valores em reais mostram uma escalada mais acentuada. Esse descompasso reflete, sobretudo, a desvalorização do real frente ao dólar ao longo do período, o que ampliou os ganhos dos exportadores brasileiros.

CICLO DE OURO
No panorama geral, o intervalo entre 2015 e 2025 pode ser considerado um ciclo de ouro para o setor. Se antes de 2014 os preços raramente ultrapassavam R$ 12,00 por quilo, a partir de 2022 os valores passaram a se manter acima de R$ 20,00, culminando no recorde histórico recente.

Para 2026, os preços médios de negociação estão em R$ 31,04 por quilo (US$ 5,89). Os dados levam em consideração as vendas internacionais registradas no primeiro trimestre do ano, reforçando a tendência de estabilização em patamares elevados e a consolidação de um novo piso histórico para o mercado internacional de tabaco.

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